O Voando em Moçambique é um pequeno tributo à História da Aviação em Moçambique. Grande parte dos seus arquivos desapareceram ou foram destruídos e o que deles resta, permanecem porventura silenciosos nas estantes de muitos dos seus protagonistas. A História é feita por todos aqueles que nela participaram. É a esses que aqui lançamos o nosso apelo, para que nos deixem o seu contributo real, pois de certo possuirão um espólio importante, para que a História dessa Aviação se não perca nos tempos e com ela todos os seus “heróis”. As gerações futuras de certo lhes agradecerão. Muitos desses verdadeiros heróis, ilustres aventureiros desconhecidos, souberam desafiar os perigos de toda a ordem, transportando pessoas e bens de primeira necessidade ou evacuando doentes, em condições meteorológicas adversas, quais “gloriosos malucos das máquinas voadoras”. Há que incentivar todos aqueles que ainda possuam dados e documentos que possam contribuir para que essa História se faça e se não extinga com eles, que os publiquem, ou que os cedam a organizações que para isso estejam vocacionadas. A nossa gratidão a todos aqueles que ao longo dos tempos se atreveram e tiveram a coragem de escrever as suas “estórias” e memórias sobre a sua aviação. Só assim a História da Aviação em Moçambique se fará verdadeiramente, pois nenhum trabalho deste género é suficientemente exaustivo e completo. A todos esses ilustres personagens do nosso passado recente que contra tudo e todos lutaram para que essa história se fizesse, a nossa humilde e sincera homenagem.

A eles dedicamos estas linhas.

José Vilhena e Maria Luísa Hingá

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Quem tiver fotos e/ou documentos sobre a Aviação em Moçambique e os queira ver publicados neste blogue, pode contactar-me pelo e-mail:lhinga@gmail.com

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Por motivo alheio algumas das imagens não abrem no tamanho original. Nesse caso podem selecionar “abrir imagem num novo separador” ou “Guardar imagem como…”.

21/10/10

710-Maria Del Pilar Ibarra Martins


Obteve a sua licença de piloto particular de aeroplanos em Junho de 1960 no Aero Clube da Zambézia em Quelimane de onde era natural.

Pertencente a uma família ligada à aviação, o seu irmão Henrique era piloto da DETA e posteriormente transitou para a TAP, cedo despontou para esta actividade maioritariamente ligada a elementos do sexo masculino.

Ambicionando voos mais altos, acabou por fixar residência na capital daquela ex-colónia, Lourenço Marques, aí continuando os seus voos para a obtenção da tão almejada licença de piloto comercial.

Acabou por ingressar no núcleo de pilotos do Serviço Médico Aéreo onde permaneceu até 1977, data em que abandonou Moçambique.

A sua actuação nestes serviços foi sempre não remunerada, sendo o seu objectivo conseguir a experiencia de voo com vista à sua ambicionada profissionalização. Averbou cerca de quatro centenas de horas de voo, grande parte das quais em bimotor Islander através do vasto território de Moçambique. No característico avião branco com a cruz vermelha nas asas, médicos, enfermeiros e medicamentos levavam a tão carenciada ajuda a todos os doentes que dela necessitavam.

A 10 de Outubro de 1972, quando efectuava um voo entre Lourenço Marques e Quelimane num mono motor Piper Cherokee do Aero Clube da Zambézia com três passageiros a bordo, sofreu uma invulgar ocorrência quando sobrevoava a inóspita região de Mabote no interior de Inhambane, que provocou fortes vibrações na estrutura da aeronave. Tal ocorrência resultou da fractura hélice a 10.000 pés de altitude. Apenas com danos materiais ligeiros, a aterragem de emergência teve lugar na lagoa de Banamana.

Foi a única aviadora portuguesa membro do famoso clube das 99 (Ninety Nine Club), fundado em 1929 nos EUA por 99 aviadoras que teve como primeira presidente Amelia Earhart.

4 comentários:

Fado Alexandrino disse...

Era uma lindissíma mulher.
Por casualidade o novo romance de José Rodrigues dos Santos tem como pano de fundo o Serviço Médico Aéreo.

Luisa Hingá disse...

Ele é filho do Dr. Paz e temos diversos artigos sobre ele.
Volte sempre.

Fado Alexandrino disse...

Não sabia.
Muito obrigado pela informação.

Graça Pereira disse...

A Pilar foi minha Amiga e colega no colégio em Quelimane. Sofri com o seu dasaparecimento tão precoce!
Gostaria de ver aqui, nesta espaço, fotos da minha prima Mª josé Lobo que foi tb hospedeira da Deta.
Obrigada
Graça (zambezianachuabo.blogspot.com)