O Voando em Moçambique é um pequeno tributo à História da Aviação em Moçambique. Grande parte dos seus arquivos desapareceram ou foram destruídos e o que deles resta, permanecem porventura silenciosos nas estantes de muitos dos seus protagonistas. A História é feita por todos aqueles que nela participaram. É a esses que aqui lançamos o nosso apelo, para que nos deixem o seu contributo real, pois de certo possuirão um espólio importante, para que a História dessa Aviação se não perca nos tempos e com ela todos os seus “heróis”. As gerações futuras de certo lhes agradecerão. Muitos desses verdadeiros heróis, ilustres aventureiros desconhecidos, souberam desafiar os perigos de toda a ordem, transportando pessoas e bens de primeira necessidade ou evacuando doentes, em condições meteorológicas adversas, quais “gloriosos malucos das máquinas voadoras”. Há que incentivar todos aqueles que ainda possuam dados e documentos que possam contribuir para que essa História se faça e se não extinga com eles, que os publiquem, ou que os cedam a organizações que para isso estejam vocacionadas. A nossa gratidão a todos aqueles que ao longo dos tempos se atreveram e tiveram a coragem de escrever as suas “estórias” e memórias sobre a sua aviação. Só assim a História da Aviação em Moçambique se fará verdadeiramente, pois nenhum trabalho deste género é suficientemente exaustivo e completo. A todos esses ilustres personagens do nosso passado recente que contra tudo e todos lutaram para que essa história se fizesse, a nossa humilde e sincera homenagem.

A eles dedicamos estas linhas.

José Vilhena e Maria Luísa Hingá

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Quem tiver fotos e/ou documentos sobre a Aviação em Moçambique e os queira ver publicados neste blogue, pode contactar-me pelo e-mail:lhinga@gmail.com

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Por motivo alheio algumas das imagens não abrem no tamanho original. Nesse caso podem selecionar “abrir imagem num novo separador” ou “Guardar imagem como…”.

27/03/08

440-Acidente no dia 13/06/1967 pelas 2200 horas, com uma aeronave da F.A.P, na praia de Sepúlveda, Moçambique

(Foto tirada por um passageiro na manhã seguinte)
-RECUPERADO O AVIÃO DA F.A.P. QUE ATERROU DE EMERGÊNCIA NA PRAIA DE SEPÚLVEDA.
-Apenas um ferido ligeiro entre os tripulantes e passageiros.

-O êxito da difícil aterragem deveu-se à perícia do piloto.

-O avião que aterrou de emergência na praia de Sepúlveda na noite de terça-feira (13/06/1967), era um “Nord Atlas” 6414 da F.A.P.
-O aparelho imobilizou-se na zona defendida da maré pela muralha de pedra que contorna uma grande extensão daquela praia. A causa da descida de emergência, foi terem os tripulantes verificado uma avaria de ordem técnica, a que se juntou uma trágica falta de combustível, o que impediu o avião de atingir o aeródromo de João Belo, em razoáveis condições de segurança. Por outro lado e devido a um nevoeiro muito denso, a navegabilidade aérea tornava-se extremamente difícil. A manobra de aterragem de emergência foi precedida pelo alijamento da carga do aparelho.
-Após a aterragem, conduzida com segurança e perícia invulgares, deu-se imediatamente início às operações de salvamento, nas quais tomaram parte um avião do Aero clube de Gaza e elementos da Polícia de Segurança Pública de João Belo, os tripulantes e passageiros pernoitaram no Hotel da Praia de Xai-Xai, seguindo na manhã seguinte em autocarro para a cidade de Lourenço Marques.
- A aeronave fazia a ligação entre Nampula, Beira e Lourenço Marques.
- Dos passageiros seguiam para se alistarem na FAP no curso de formação de “Especialistas da FAP na Ota”, no 2º turno de 1967, os Beirenses – Solano de Almeida, Manuel Paiva, Ezequiel Velho, António Vieira, Rodolfo Pereira e Serafim Cancela.

Nos comentários deixaram a alteração a seguir referida:
"Obrigado Tonito por esta recordação do nord atlas na praia do xai-xai, recordo-te que eu nao me chamo Rodolfo Pereira mas sim Rodolfo Monteiro e o Velho chama-se Estelita Velho e nao Ezequiel, o resto esta certo, faltam o gajos de Nampula, Lazaro, Fernando Fernandes, Sargento (
nao me lembro do nome dele) e o Quintal."
Recorte da notícia do acidente no “Diário de Moçambique”,da Beira, no dia 15/06/1967


Texto e fotos enviados por António da Silva Vieira, a quem agradeço a oferta.

09/03/08

439 - Acidente com o CR-AGE, do GPZ

Ver artigos 112 433 e 788 sobre o GPZ
CR-AGE
Tipo – Helicóptero Bell – AB 47G2
Matricula - CR-AGE
Operador - GPZ.
S/N-245
Equipado com Motor VO-435 A1D e PÁS de madeira PARSONS S/N-P10863 e P10864 no Rotor principal.
Piloto - ANTÓNIO SILGADO DIAS TEIXEIRA
Mecânico - JOSÉ DA GUIA GONÇALVES.


O Acidente
200 Metros (SUL) da cabeceira da pista do Aeródromo Civil de TETE. Ano 1971. Naquela manhã, tínhamos terminado uma inspecção de manutenção, e era necessário o respectivo voo de experiência. O helicóptero descolou do "heliporto" junto ao hangar (GPZ), e dirige-se em voo lento (pairado) junto ao solo (2/3 metros) de altura para a cabeceira Sul da pista. Gira lentamente para a direita e para a esquerda, em voo estacionário para "checar" o rotor de cauda. Findos os testes aos controlos de voo, inicia o voo para Sul a baixa altitude" bem inclinado para a frente" para adquirir velocidade. Percorridos cerca de 200 metros o Rotor principal COLIDE com os "fios" eléctricos que atravessam o vale, danificando e partindo a ponta de uma das PÁS e "DOBRANDO" para baixo a barra de aço do bordo de ataque da mesma. O " PUXÃO" repentino (INSTINTIVO) no Cíclico (Manche) E INEVITÁVEL e de tal modo violento, que o rotor inclina para trás bruscamente e a "barra exposta " da PÁ danificada atinge a ESTRUTURA de cauda (Fuselagem) decepando-a. OCORREU NUMA FRACÇÃO DE SEGUNDO. Dá-se o impacto no solo seguido imediatamente do incêndio do combustível que e projectado para a cabine, já sem a protecção da cobertura (BOLHA DE PLEXIGLASS) destruída no impacto. O TEIXEIRA sai rapidamente do helicóptero em chamas praticamente ILESO, mas já a salvo apercebe-se que o GONÇALVES, envolto pelas chamas, esta PETRIFICADO dentro daquele inferno. Num gesto próprio dos GRANDES HOMENS, avança para as chamas, e sofrendo horríveis queimaduras em ambas as mãos e braços liberta o GONÇALVES dos cintos de segurança e arrasta-o para longe da morte que se adivinhava. NOTA: Neste modelo de helicóptero, os tanques de combustível (metálicos) são fixos, imediatamente atrás da cabine (Um de cada lado da caixa de transmissão principal, acima do motor e um pouco acima do nível da cabeça dos ocupantes). Tive conhecimento esta semana que o TEIXEIRA já nos DEIXOU FISICAMENTE há cerca de um ano. Não posso deixar de sentir um pesar enorme pela partida de mais um AMIGO, e EX. COMPANHEIRO de trabalho deixando-lhe esta pequena Homenagem de RESPEITO, AO GRANDE HOMEM que SEMPRE FOI tanto no TRATO DIÁRIO, na CAMARADAGEM, NO BRIO e DIGNIDADE PROFISSIONAL QUE a TUA ALMA ENCONTRE A PAZ SOBEJAMENTE MERECIDA.
José Pascoa

438-Por ares nunca antes atravessados

In Revista Sirius nº 126 MAR/ABR 2008




Recolha de Cte. Vilhena

01/03/08

437-Moçambique. DETA - Subsídios para a sua história. 1964

Obrigada Arquitecto Chico Ivo por este link.

436-Espólio fotográfico de Matos Viegas, funcionário da DETA


O meu obrigada ao filho Carlos Matos Viegas, que me enviou as fotos e este e-mail.

"Foi com um misto de sentimentos, lavados com uma lágrima no canto do olho, que vi uma fotografia do meu, já falecido, Pai (n.º7 da foto 382).



No comentário a essa fotografia, prometi fazer uma apanha de algumas fotografias do meu Pai e de lhas enviar. Como o prometido é devido, aqui vão elas.



As fotografias que envio estão todas legendadas, mas como falta a identificação de muita gente, seria interessante, que quem souber, as vá completando.



Irei concerteza passar muito mais vezes por aqui, pois... Recordar é viver...


Até breve


Carlos Matos Viegas