O Voando em Moçambique é um pequeno tributo à História da Aviação em Moçambique. Grande parte dos seus arquivos desapareceram ou foram destruídos e o que deles resta, permanecem porventura silenciosos nas estantes de muitos dos seus protagonistas. A História é feita por todos aqueles que nela participaram. É a esses que aqui lançamos o nosso apelo, para que nos deixem o seu contributo real, pois de certo possuirão um espólio importante, para que a História dessa Aviação se não perca nos tempos e com ela todos os seus “heróis”. As gerações futuras de certo lhes agradecerão. Muitos desses verdadeiros heróis, ilustres aventureiros desconhecidos, souberam desafiar os perigos de toda a ordem, transportando pessoas e bens de primeira necessidade ou evacuando doentes, em condições meteorológicas adversas, quais “gloriosos malucos das máquinas voadoras”. Há que incentivar todos aqueles que ainda possuam dados e documentos que possam contribuir para que essa História se faça e se não extinga com eles, que os publiquem, ou que os cedam a organizações que para isso estejam vocacionadas. A nossa gratidão a todos aqueles que ao longo dos tempos se atreveram e tiveram a coragem de escrever as suas “estórias” e memórias sobre a sua aviação. Só assim a História da Aviação em Moçambique se fará verdadeiramente, pois nenhum trabalho deste género é suficientemente exaustivo e completo. A todos esses ilustres personagens do nosso passado recente que contra tudo e todos lutaram para que essa história se fizesse, a nossa humilde e sincera homenagem.

A eles dedicamos estas linhas.

José Vilhena e Maria Luísa Hingá

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Quem tiver fotos e/ou documentos sobre a Aviação em Moçambique e os queira ver publicados neste blogue, pode contactar-me pelo e-mail:lhinga@gmail.com

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Por motivo alheio algumas das imagens não abrem no tamanho original. Nesse caso podem selecionar “abrir imagem num novo separador” ou “Guardar imagem como…”.

23/07/14

873 - CADELCO - Cabo Delgado Comercial


CR-AJA. Foto encontrada aqui

CR-AJA

CR-AJA
Fotos  da viagem de Porto Amélia a Nangade, em 29 de Junho de 1974.

Fotos e comentário de António Moura.
 
CR-AMO. Foto de Gilberto Pereira




03/07/14

872 - Cte. António Luís Figueiredo.

DH.82A Tiger Moth "CR-ABP"
Batismo de voo de António Luís Figueiredo.
Foto de Rui Figueiredo Oliveira (sobrinho).


Cte. António Luís Figueiredo em 1950.
Foto de Rui Figueiredo Oliveira (Sobrinho)
Dakota CR-AHB na placa da Beira antes da partida para Metangula 1967
- Cte. Figueiredo, Cte. Primavera, Adelaide Lobato e Castro .  
Em Metangula a caminho dos aquartelamentos da base naval num dia de muito vento - Da esquerda para a direita : Rolando Mendes de Nampula, Cte. Figueiredo, Adelaide Lobato e J. Primavera.    

DETA - DC 3 - Comte. Figueiredo, Copiloto J.Primavera, Mecânico Castro, no primeiro voo de um DC 3 a Vila Junqueiro em Abril de 1967 transportando a comitiva da fadista Maria Pereira numa digressão por Moçambique promovida pela Robialac. Recordo que a minha saudosa Amiga D.Lúcia a boa companheira do não menos saudoso Comte. Faria, comentava depois do nosso desembarque:
-Tenho de dizer ao Faria que o Dakota da DETA fêz uma aterragem mais curta do que o seu Aztec !!!
Com humildade confesso que o autor da aterragem foi este vosso amigo ... 
Foto e comentário de Cte. Primavera.


António Luís Figueiredo - O primeiro voo como Co-Piloto, de L.M./Beira/Porto Amélia; Comandante do Voo - Cte. Branco". Foto do sobrinho Rui Figueiredo Oliveira


Homenagem póstuma do cte. Primavera ao cte. António Luís Figueiredo
Faleceu sábado dia 28 de Junho o meu Amigo e colega de voo da DETA, o Comandante ANTÓNIO LUÍS FIGUEIREDO, “FIGAS” como era por nós conhecido.

Nascido em Lourenço Marques em 1926, iria completar a 30 de Outubro os 88 anos de idade.
Depois de se perder um companheiro, muito se diz e muito se fala sobre o que ele foi, sobre o que ele fez, ou não fez, elogiando os acontecimentos  de que então nos recordamos!
Sem querer seguir esse caminho demasiado sentimental vou apenas reviver numa curta homenagem, quatro pequenas situações das muitas que partilhamos durante aqueles maravilhosos tempos em que voei na DETA como copiloto de um profissional que se iniciou na aviação como mecânico de manutenção de aviões, passou para o voo como mecânico radiotelegrafista e finalmente como piloto de aviões, função que exerceu até ao ano em que completou sessenta e quatro anos de idade.

Em meados de 1967 a cantora de fados Maria Pereira, a convite do Movimento Nacional Feminino, fez uma digressão por Moçambique cantando para os militares em missão de serviço nos principais aquartelamentos.
Fomos destacados, o Comandante Figueiredo, eu, o mecânico de voo Castro e a assistente Adelaide Lobato para um fretamento que transportaria um conjunto artístico liderado pelo conhecido empresário Covões das tintas Robialac e sua mulher a fadista Maria Pereira acompanhados pelo pessoal de apoio e respectivo material para a realização dos espectáculos.
1 - A primeira escala foi a pista de Metangula no magnífico Lago Niassa onde pela primeira vez aterrou um DC3, o CR-AHB da DETA numa manobra perfeita atestada por uma multidão de marinheiros que vieram esperar a cantora.
Nas instalações da base naval de Metangula fomos “obrigados” pela primeira vez a assistir ao espectáculo da Maria Pereira.
2 – A segunda escala foi no Lumbo, onde chegamos com uma hora de atraso por se ter verificado à partida de Metangula uma avaria no motor do lado direito eficientemente reparada pelo nosso mecânico de voo, o 3º membro da tripulação do cockpit.
Mesmo assim a população do Lumbo esperava-nos para poderem assistir ao espectáculo prometido pelo representante da “Robialac”.
Aí o “Figas” desculpou-se não poder estar presente, com a necessidade de proceder a uma cuidada verificação do motor direito. É claro que nós, seguindo o exemplo do Comandante escusámo-nos a assistir ao espectáculo que víramos na véspera e que, diga-se em abono da verdade, era muito enfadonho!
3 – A terceira e a última escala teve por cenário a encantadora povoação de Vila Junqueiro onde brilhava a simpatia do casal Peixoto, a Dona Lúcia e o Comandante Faria, mais conhecido pelo “Faria do Gurué”.
Também a pista do Gurué recebeu pela primeira vez a visita de um DC3.
E tão grande era a nossa preocupação numa aproximação curta a esta pista de pequenas dimensões que, como dizia D. Lúcia entusiasmada com a presença daquela aeronave um ”pouco maior” do que o pequeno AZTEC do seu Faria, repetia - o DAKOTA, sendo muito maior que o AZTEC, aterrou num espaço mais curto do que o Faria.
É claro que a presença do casal Peixoto serviu de pretexto para mais uma ausência nossa no espectáculo da fadista Maria Pereira!
Finalmente esta pequena homenagem ao Comandante Figueiredo ficará completa com o registo que se segue e que revela bem o espírito de missão que nos animava a todos nós tripulantes da DETA nos momentos mais difíceis da vida das populações, como o que aconteceu naquela tarde de verão de 1968:
- Havíamos descolado do aeródromo da Beira pelas oito horas da manhã na carreira habitual com destino a Porto Amélia, escalando Quelimane, Tete, Vila Coutinho, Nova Freixo, Vila Cabral e Nampula.
Já perto de Porto Amélia foi-nos transmitido um pedido do hospital da cidade para a evacuação de doze militares vítimas de um acidente de viação e que necessitavam de assistência especializada que só lhes poderia ser administrada no hospital de Nampula.
A nossa chegada estava prevista para cerca das dezassete e trinta.
O comandante Figueiredo sabendo de antemão que nenhum dos tripulantes se recusaria a efectuar esta missão, teve contudo o cuidado de esclarecer a tripulação para o facto de que a sua aceitação implicaria um acréscimo de aproximadamente três horas de voo, não contando com o tempo de trabalho imprevisível naquelas circunstâncias.
Antecipando a operação de evacuação pedimos que fossem preparados os feridos para o embarque à nossa chegada a Porto Amélia o que infelizmente não resultou dado que se processou de modo extremamente lento devido ao estado dos acidentados.
Só conseguimos descolar com destino a Nampula pelas vinte horas. Depois de desembarcados os nossos passageiros, iniciamos o regresso acabando por aterrar finalmente em Porto Amélia cerca das três horas da madrugada após vinte horas de trabalho em que fizemos nove aterragens!

Recordo-me que quando nos dirigíamos para o hotel disseste na tua maneira de falar:
- Obrigado pessoal pela vossa dedicada colaboração. Muito obrigado!

“Hambanine” “Figas”. Adeus!

Joaquim Primavera

Vila de Parede 01/07/2014