O Voando em Moçambique é um pequeno tributo à História da Aviação em Moçambique. Grande parte dos seus arquivos desapareceram ou foram destruídos e o que deles resta, permanecem porventura silenciosos nas estantes de muitos dos seus protagonistas. A História é feita por todos aqueles que nela participaram. É a esses que aqui lançamos o nosso apelo, para que nos deixem o seu contributo real, pois de certo possuirão um espólio importante, para que a História dessa Aviação se não perca nos tempos e com ela todos os seus “heróis”. As gerações futuras de certo lhes agradecerão. Muitos desses verdadeiros heróis, ilustres aventureiros desconhecidos, souberam desafiar os perigos de toda a ordem, transportando pessoas e bens de primeira necessidade ou evacuando doentes, em condições meteorológicas adversas, quais “gloriosos malucos das máquinas voadoras”. Há que incentivar todos aqueles que ainda possuam dados e documentos que possam contribuir para que essa História se faça e se não extinga com eles, que os publiquem, ou que os cedam a organizações que para isso estejam vocacionadas. A nossa gratidão a todos aqueles que ao longo dos tempos se atreveram e tiveram a coragem de escrever as suas “estórias” e memórias sobre a sua aviação. Só assim a História da Aviação em Moçambique se fará verdadeiramente, pois nenhum trabalho deste género é suficientemente exaustivo e completo. A todos esses ilustres personagens do nosso passado recente que contra tudo e todos lutaram para que essa história se fizesse, a nossa humilde e sincera homenagem.

A eles dedicamos estas linhas.

José Vilhena e Maria Luísa Hingá

========================

Quem tiver fotos e/ou documentos sobre a Aviação em Moçambique e os queira ver publicados neste blogue, pode contactar-me pelo e-mail:lhinga@gmail.com

=======================

Por motivo alheio algumas das imagens não abrem no tamanho original. Nesse caso podem selecionar “abrir imagem num novo separador” ou “Guardar imagem como…”.

20/11/06

142-DANIEL RABECK - Da Látvia a Lourenço Marques


O segundo piloto a ser contratado pela DETA, efectuou o segundo voo em “Dragon Rapide” de Lourenço Marques a Germinston uma semana após o serviço ter sido inaugurado pelo Cte. Manuel Maria Rocha, era um jovem nascido em Látvia, pequeno país do Báltico, que aprendera a pilotar sete anos antes no Joanesburgo Light Plane Club. De seu nome Daniel Rabeck, ficaria para sempre ligado à história da aviação comercial em Moçambique.

Deixou de voar em 1960 com 11.800 horas de voo, após 23 anos ao serviço da Stewarts & Lloyds Sul Africana.

Passou 15 meses como piloto de Dragon Rapide e Drangonfly na DETA, e averbou mais horas de voo por mês do que em qualquer outra altura da sua carreira de piloto, incluindo como piloto de transporte da Força Aérea da África do Sul.

O jovem Dan Rabeck, como ficou conhecido, emigrou da Látvia para a África do Sul em 1930 e iniciou as aulas de pilotagem nesse mesmo ano, com a idade de 17 anos, sendo seu instrutor Stan Halse. Após ter obtido a licença de piloto comercial, juntou-se a Harry Shires e participou na construção do aeródromo de Grand Central em Halfway House, entre Joanesburgo e Pretória.

Foi instrutor no Aero Clube de Lusaka e voou para a Christowitz Air Services na Niassalândia. Quando voltou à Africa do Sul, efectuou voos de táxi aéreo utilizando para o efeito um Gipsy Moth e um Puss Moth, tendo Rod Douglas, então chefe da DeHavilland Sul Africana, solicitado os seus serviços para entregar em Lourenço Marques um dos Dragon Rapide entretanto adquiridos pela DETA. Convidado, aceitou ser piloto da nova empresa em fase de formação.

Foi assim o segundo piloto da empresa Moçambicana, tendo sido homenageado num jantar de gala em Lourenço Marques decorria o ano de 1960.

Artigo e fotos de José Vilhena

Sem comentários: