O Voando em Moçambique é um pequeno tributo à História da Aviação em Moçambique. Grande parte dos seus arquivos desapareceram ou foram destruídos e o que deles resta, permanecem porventura silenciosos nas estantes de muitos dos seus protagonistas. A História é feita por todos aqueles que nela participaram. É a esses que aqui lançamos o nosso apelo, para que nos deixem o seu contributo real, pois de certo possuirão um espólio importante, para que a História dessa Aviação se não perca nos tempos e com ela todos os seus “heróis”. As gerações futuras de certo lhes agradecerão. Muitos desses verdadeiros heróis, ilustres aventureiros desconhecidos, souberam desafiar os perigos de toda a ordem, transportando pessoas e bens de primeira necessidade ou evacuando doentes, em condições meteorológicas adversas, quais “gloriosos malucos das máquinas voadoras”. Há que incentivar todos aqueles que ainda possuam dados e documentos que possam contribuir para que essa História se faça e se não extinga com eles, que os publiquem, ou que os cedam a organizações que para isso estejam vocacionadas. A nossa gratidão a todos aqueles que ao longo dos tempos se atreveram e tiveram a coragem de escrever as suas “estórias” e memórias sobre a sua aviação. Só assim a História da Aviação em Moçambique se fará verdadeiramente, pois nenhum trabalho deste género é suficientemente exaustivo e completo. A todos esses ilustres personagens do nosso passado recente que contra tudo e todos lutaram para que essa história se fizesse, a nossa humilde e sincera homenagem.

A eles dedicamos estas linhas.

José Vilhena e Maria Luísa Hingá

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Quem tiver fotos e/ou documentos sobre a Aviação em Moçambique e os queira ver publicados neste blogue, pode contactar-me pelo e-mail:lhinga@gmail.com

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Por motivo alheio algumas das imagens não abrem no tamanho original. Nesse caso podem selecionar “abrir imagem num novo separador” ou “Guardar imagem como…”.

01/03/07

239 - Matrículas em Portugal e Colónias

A história da grande confusão das matrículas nas Colónias Ultramarinas Portuguesas.Inicialmente Portugal começou por utilizar o prefixo C-PAAA!
Para Moçambique, primeira ex-colónia a ter máquinas voadoras, atribuiu-se o C-PMAA!
Por volta de 1929, Portugal alterou o prefixo P- para CS- (CS-AAA), atribuindo às colónias o CR- .
Moçambique, como primeira colónia “aérea”, adoptou o CR-MAA, seguindo-se-lhe o CR-MAB, CR-MAC.......... Provavelmente com o M de Moçambique!
Angola que entretanto tinha recebido os seus primeiros aviões por essa altura, resolveu começar a atribuir as suas próprias matrículas, iniciando a série com o CR-BAA, CR-CAA, CR-DAA e lá foi bater no CR-MAA que já existia em Moçambique!
Estalou-se então a confusão neste País à beira mar plantado!
Houve que pôr ordem no convento!
E por volta de 1937 o dono da casa determinou que Moçambique, como primeira candidata, ficaria com o CR-AAA (talvez tivesse ficado melhor em Angola por se iniciar com o A).
Angola, como provavelmente para lá de Luanda pouco se conhecia, ficou com o CR-LAA.
Na década de cinquenta entraram finalmente as outras colónias na rota aérea e como tal foram-lhes atribuídas as matriculas CR-CAA para Cabo Verde, CR-GAA para a Guiné Portuguesa, CR-SAA para S. Tomé, CR-TAA para Timor, CR-IAA para a Índia Portuguesa e CR-MAA para Macau.
Macau, por ironia do destino nunca teve aviões antes das descolonizações, como tal quando o primeiro apareceu já não existiam colónias e optou por um subproduto da casa mãe, CS-MAA em vez do CR-MAA.
Entretanto Moçambique, em 1971, com a chegada dos primeiros Boeing 737 da DETA, quis marcar a diferença e optou pelo CR-BAA (B provavelmente de Boeing), tendo em 1973 acrescentado o CR-HAA para o primeiro helicóptero da nova HEPAL, já que os helicópteros anteriores ostentavam as matrículas normais, CR-AKZ.
Assim tivemos aviões nas ex-colónias, que ostentaram, pelo menos temporariamente, as mesmas matrículas:


Texto e fotos de Cte. José Vilhena

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