O Voando em Moçambique é um pequeno tributo à História da Aviação em Moçambique. Grande parte dos seus arquivos desapareceram ou foram destruídos e o que deles resta, permanecem porventura silenciosos nas estantes de muitos dos seus protagonistas. A História é feita por todos aqueles que nela participaram. É a esses que aqui lançamos o nosso apelo, para que nos deixem o seu contributo real, pois de certo possuirão um espólio importante, para que a História dessa Aviação se não perca nos tempos e com ela todos os seus “heróis”. As gerações futuras de certo lhes agradecerão. Muitos desses verdadeiros heróis, ilustres aventureiros desconhecidos, souberam desafiar os perigos de toda a ordem, transportando pessoas e bens de primeira necessidade ou evacuando doentes, em condições meteorológicas adversas, quais “gloriosos malucos das máquinas voadoras”. Há que incentivar todos aqueles que ainda possuam dados e documentos que possam contribuir para que essa História se faça e se não extinga com eles, que os publiquem, ou que os cedam a organizações que para isso estejam vocacionadas. A nossa gratidão a todos aqueles que ao longo dos tempos se atreveram e tiveram a coragem de escrever as suas “estórias” e memórias sobre a sua aviação. Só assim a História da Aviação em Moçambique se fará verdadeiramente, pois nenhum trabalho deste género é suficientemente exaustivo e completo. A todos esses ilustres personagens do nosso passado recente que contra tudo e todos lutaram para que essa história se fizesse, a nossa humilde e sincera homenagem.

A eles dedicamos estas linhas.

José Vilhena e Maria Luísa Hingá

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Quem tiver fotos e/ou documentos sobre a Aviação em Moçambique e os queira ver publicados neste blogue, pode contactar-me pelo e-mail:lhinga@gmail.com

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Por motivo alheio algumas das imagens não abrem no tamanho original. Nesse caso podem selecionar “abrir imagem num novo separador” ou “Guardar imagem como…”.

08/08/07

347-Algumas achegas ao Horizonte dos Pioneiros - II parte


Resposta do Comandante José Vilhena, ao conteúdo do artigo anterior publicada na Revista mais Alto, de Set/Out 2007 e abaixo transcrito.

"Mais uma vez tivemos oportunidade de ler um excelente artigo sobre a História da Aviação em Moçambique, na revista Mais Alto de Jul/Ago de 2007.
Armando Torre do Valle é indubitavelmente uma figura incontornável quando se escreve sobre a Aviação da nossa ex-colónia.
Que gosto e que prazer terão de certo todos os Moçambicanos quando lêem os feitos deste Pioneiro da Aviação, Homem de visões largas e uma tenacidade ímpar.
Obrigado Dr. Vasco d’Avillez por nos permitir recordar esta página notável da História da nossa Aviação.
Contudo não posso deixar de lhe enviar duas pequenas notas de roda pé em relação ao que escreveu, sem contudo pôr em causa a veracidade do conteúdo do seu excelente artigo.
Quando refere que eu afirmei que”...Torre do Valle efectuou a sua ligação aérea Moçambique – Inglaterra e não a ligação aérea Moçambique – Metrópole...” , mais não faço do que historicamente revelar uma obvia constatação. Lendo o seu artigo, descreve e bem que Torre do Valle e o seu Gaza III “...parte de Lisboa com a sua mulher Emma no dia 19 de Junho de 1933 via Madrid, Biarritz e Paris aterrando em Londres em 22 de Junho ...”
Parece, desde sempre, ter sido este o objectivo final do intrépido aviador, quando a 1 de Abril de 1933, descolou do Xai Xai (Chai-Chai como era escrito naquele tempo, já que no novo e independente Moçambique transformou o “Ch” em “X”, vá.se lá saber porquê). É natural que toda este epopeia tivesse na imprensa de então, como bem aponta, um valor sentimental e político importante na ligação da Colónia à capital do Império, levando-a a empolgar o facto de se tratar de um raid aéreo Moçambique – Metrópole. Semântica à parte, se bem me lembro, sempre em Moçambique se considerou o destino final como as terras de Sua Majestade, o que torna o feito foi bem maior para a época, acrescentando ao palmarés do aviador, o percurso Alverca – Londres.
A isto se refere, como pode constatar, o “Notícias” de Lourenço Marques a 1 de Abril de 1964, data da comemoração dos 31 anos da efeméride. (Post 236).
Em relação ao Gaza V, o DeHavilland Hornet Moth “CR-AAC” que pertenceu a Torre do Valle, convém a bem da verdade histórica acrescentar que este avião foi cedido/vendido à DETA em 1936, passando a fazer parte da sua frota até Agosto de 1967, altura em que o mesmo foi oferecido ao Aeroclube de Moçambique, numa cerimónia presidida pelo Eng. Fernando Seixas, na altura Director dos CFM (Caminhos de Ferro de Moçambique), e pelo Eng. Abel de Azevedo (Director da DETA). (Post 50).
Em 1972, e não “...depois de 1974....” como afirma, foi o mesmo oferecido ao Museu do Ar em Alverca pela direcção do Clube, passando a fazer parte do seu espólio, pois estava imobilizado já há uns anos no fundo de um hangar, (tal como o seu irmão CR-AAA ainda em poder da LAM, empresa que sucedeu à DETA), graças à inexistência de peças de substituição. (Post 118)
José Vilhena"

4 comentários:

Anónimo disse...

É assim mesmo. Rigor é outra conversa.
Com a história não se brinca.

Parabens Comandante

Vítor Silva

Luisa Hingá disse...

Eu aproveito para agradecer a inestimável ajuda que me têm dado os Comandantes Vilhena e Vítor Silva e tantos outros.

Anónimo disse...

Não me canso de ler estas relíquias da nossa história fantástica da nossa aviação de Moçambique. Bem haja cmtes Vilhena e Víctor Silva.
abraços
Carlos Schmidt

deprofundis disse...

Não vem a propósito, mas há mais aviões de Moçambique no blogue "Quanto Mais Quente Melhor" (http://petas.blogs.sapo.pt/)
Bj.