O Voando em Moçambique é um pequeno tributo à História da Aviação em Moçambique. Grande parte dos seus arquivos desapareceram ou foram destruídos e o que deles resta, permanecem porventura silenciosos nas estantes de muitos dos seus protagonistas. A História é feita por todos aqueles que nela participaram. É a esses que aqui lançamos o nosso apelo, para que nos deixem o seu contributo real, pois de certo possuirão um espólio importante, para que a História dessa Aviação se não perca nos tempos e com ela todos os seus “heróis”. As gerações futuras de certo lhes agradecerão. Muitos desses verdadeiros heróis, ilustres aventureiros desconhecidos, souberam desafiar os perigos de toda a ordem, transportando pessoas e bens de primeira necessidade ou evacuando doentes, em condições meteorológicas adversas, quais “gloriosos malucos das máquinas voadoras”. Há que incentivar todos aqueles que ainda possuam dados e documentos que possam contribuir para que essa História se faça e se não extinga com eles, que os publiquem, ou que os cedam a organizações que para isso estejam vocacionadas. A nossa gratidão a todos aqueles que ao longo dos tempos se atreveram e tiveram a coragem de escrever as suas “estórias” e memórias sobre a sua aviação. Só assim a História da Aviação em Moçambique se fará verdadeiramente, pois nenhum trabalho deste género é suficientemente exaustivo e completo. A todos esses ilustres personagens do nosso passado recente que contra tudo e todos lutaram para que essa história se fizesse, a nossa humilde e sincera homenagem.

A eles dedicamos estas linhas.

José Vilhena e Maria Luísa Hingá

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Quem tiver fotos e/ou documentos sobre a Aviação em Moçambique e os queira ver publicados neste blogue, pode contactar-me pelo e-mail:lhinga@gmail.com

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Por motivo alheio algumas das imagens não abrem no tamanho original. Nesse caso podem selecionar “abrir imagem num novo separador” ou “Guardar imagem como…”.

21/01/10

648 - Faleceu o Cte. Luís Santos da Costa Branco, ex-Comandante da DETA













Faleceu hoje o Cte. Luís Santos da Costa Branco
O Voando em Moçambique apresenta condolências à família


O Cte. Branco era o o mais antigo piloto português de linha aérea.

Nascido a 25 de Outubro de 1917 em Vila Nova de Oliveirinha, Luís Branco é considerado "um pioneiro nos transportes aéreos portugueses", sendo um dos mais antigos pilotos da primeira transportadora de linha aérea nacional, que foi a DETA (hoje Linhas Aéreas de Moçambique).
Teve em 1933 o seu baptismo de Voo com o Capitão Piloto Aviador João Luís de Moura. Foi admitido como praticante de escritório nos Caminhos de Ferro de Moçambique a 13 de Maio de 1936. A 6 de Maio desse ano iniciou a instrução de voo no Aero Clube de Moçambique tendo como instrutor Jimmy Childs, piloto Sul Africano que combateu na 1ª Grande Guerra. Efectuou o seu primeiro voo a solo a 2 de Junho de 1936 e foi nomeado Aluno Piloto Aviador da DETA. Em 28 de Outubro de 1937 iniciou o curso de qualificação para Piloto de Aviões de Transporte Publico. Em 1939/1940 frequentou o curso de Radiotelegrafista de Aeronaves na Escola Telégrafo-postal dos CTT, recebendo o respectivo certificado do Serviço de Aeronáutica Civil (SAC) em 15 de Julho de 1940, tendo ingressado nas carreiras aéreas da DETA.Posteriormente efectuou cursos em Inglaterra, Holanda e Estados Unidos, nomeadamente cursos de qualificação em Fokker Friendship F27 e Boeing 737. Voou Hornet Moth, Dragonfly, Dragon Rapide, Junkers 52, Lockheed Electra e Lodestar, Dakota, Friendship e Boeing 737. Foi durante vários anos instrutor, verificador e Piloto Chefe da DETA. Completou 33.800 horas de voo no total, tendo muitas delas sido realizadas quando ainda não existiam as mínimas condições de apoio à navegação, uma vez que se iniciava em todo o mundo o hoje cómodo e seguro transporte aéreo"
Além de ter representado a antiga DETA em várias reuniões e eventos internacionais e de ter transportado diversas persolidades, participou na elaboração da primeira legislação nacional sobre tempos de voo e repouso dos tripulantes de voo.
Oficial da Ordem Militar de Cristo e Comendador da Ordem do Infante Dom Henrique, possui ainda vários louvores, destacando-se um atribuído em 1953 por ter evitado "um acidente de graves consequências ao comando do avião bimotor Lockheed-14, com um dos motores a arder e outro a falhar".
O comandante Luís Santos da Costa Branco cumpriu o seu último voo em Moçambique, aos comandos do avião Boeing- 737, no dia 22 de Maio de 1976, numa carreira regular Lourenço Marques - Joanesburgo - Lourenço Marques.
A Aviação em Moçambique muito ficou a dever ao Cte. Luís Branco pelo grande labor, empenhamento, esforço e entusiasmo. Para as novas gerações de pilotos foi sempre um marco e uma referência.


5 comentários:

Ricardo Quintino disse...

É com profunda mágua que acabo de ter conhecimento do falecimento do Comandante Luís Branco. Foi meu examinador em Abril de 1963 na prova prática do exame de PPA no Aero Clube da Beira. Fique em paz "meu" COMANDANTE !

Ricardo Quintino

Celestino Ferreira Gonçalves disse...

Desejo associar-me aos muitos milhares de pessoas que neste momento sentem o desaparecimento físico do célebre e simpático Comandante Luís Branco, que bem conheci e muitas vezes viajei sob o seu comando!
À Família sentidas condolências!
Paz à Sua Alma!
Celestino

Luisa Hingá disse...

Recebido da filha do Cte. Flávio de Carvalho:
Não posso deixar de afirmar o meu sentido pesar, agora que soube do falecimento do Cte Branco, que tantas vezes me telefonou aquando do longo internamento do meu falecido pai,Flávio de Carvalho, ansioso e nervoso por saber dele, seu parceiro de sempre,com histórias comuns imensas. Bem haja, a quem lembra estes nomes. Do meu pai estou a tentar juntar dados. Alguem me poderia ajudar? Faleceu em 2000, Janeiro. Na altura, só não tive ajudas, alem de que foi há 10 anos.
Julgo ter foto do Dakota que pedem. Procuro-a.
Saudações
Célia

Maria José Gaspar disse...

Tenho lembrado sempre com muita saudade o Comte. Luis Branco e recordo sempre dois episódios que nos aconteceram em serviço...há muis anos!...Debaixo de um intenso temporal, partiu-se o trem de aterragem do Boeing 373 em Porto Amélia e, outra vez, em Joanesburgo. Passados uns dias encontrámos no Gabinete das Operações de Voo e diz-me o Comte: "menina, se está aqui para o mesmo voo que eu, vamos decidir, ou vai você ou vou eu, os dois juntos é que nunca mais". Por sinal, até eram dois voos diferentes. Quanta saudade desse tempo. PAZ À SUA ALMA!

Vivaldo Quaresma disse...

Embora não tenha conhecido o comandante Luís Branco, solidarizo-me com as pessoas que aqui deixaram o seu testemunho e palavras de louvor; no entanto, a razão deste meu comentário prende-se com a tentativa de contacto com Maria José Gaspar, do Largo do Minho.

Olá Zezinha, se vires esta minha mensagem, e te lembrares de mim, por favor, entra em contacto comigo.

Vivaldo.