O Voando em Moçambique é um pequeno tributo à História da Aviação em Moçambique. Grande parte dos seus arquivos desapareceram ou foram destruídos e o que deles resta, permanecem porventura silenciosos nas estantes de muitos dos seus protagonistas. A História é feita por todos aqueles que nela participaram. É a esses que aqui lançamos o nosso apelo, para que nos deixem o seu contributo real, pois de certo possuirão um espólio importante, para que a História dessa Aviação se não perca nos tempos e com ela todos os seus “heróis”. As gerações futuras de certo lhes agradecerão. Muitos desses verdadeiros heróis, ilustres aventureiros desconhecidos, souberam desafiar os perigos de toda a ordem, transportando pessoas e bens de primeira necessidade ou evacuando doentes, em condições meteorológicas adversas, quais “gloriosos malucos das máquinas voadoras”. Há que incentivar todos aqueles que ainda possuam dados e documentos que possam contribuir para que essa História se faça e se não extinga com eles, que os publiquem, ou que os cedam a organizações que para isso estejam vocacionadas. A nossa gratidão a todos aqueles que ao longo dos tempos se atreveram e tiveram a coragem de escrever as suas “estórias” e memórias sobre a sua aviação. Só assim a História da Aviação em Moçambique se fará verdadeiramente, pois nenhum trabalho deste género é suficientemente exaustivo e completo. A todos esses ilustres personagens do nosso passado recente que contra tudo e todos lutaram para que essa história se fizesse, a nossa humilde e sincera homenagem.

A eles dedicamos estas linhas.

José Vilhena e Maria Luísa Hingá

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Quem tiver fotos e/ou documentos sobre a Aviação em Moçambique e os queira ver publicados neste blogue, pode contactar-me pelo e-mail:lhinga@gmail.com

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Por motivo alheio algumas das imagens não abrem no tamanho original. Nesse caso podem selecionar “abrir imagem num novo separador” ou “Guardar imagem como…”.

21/10/07

373-Cte. Jorge Pereira Veloso faleceu



No Por Dentro do Sindicato de Pilotos

Jorge Pereira Veloso, nasceu a 17 de Dezembro de 1927 na cidade de Joanesburgo.

Alistou-se na Força Aérea Sul-africana como voluntário, tendo completado o treino de voo no caça Spitfire em 1945, pelo que foi mobilizado para o destacamento da Royal Air Force Sul-africana que combatia os alemães no Norte de África.

Com a capitulação da Alemanha em 7 de Maio de 1945, não chega a integrar aquela força e é desmobilizado posteriormente.

Vai para Moçambique, onde residia o seu pai, funcionário administrativo, entrando como aluno piloto para a escola de pilotagem da DETA, tendo obtido em 19 de Fevereiro de 1948 a licença de " Piloto Aviador de Transporte Público ".

Na DETA voou praticamente todos os aviões da companhia: Junkers JU-52, Dragon Rapid, Dragonfly, Dove, Dakota, Lockheed 14, Fokker Friendship F-27 (turbo hélice) e Boeing 737-200.

Foi instrutor e verificador, tendo desempenhado o cargo de Piloto Chefe da DETA, onde deixou profundas marcas de renovação e progresso aeronáutico com destaque para a segurança do voo.

Deixa a DETA em 1973, entrando para a TAP nesse mesmo ano.

Na nova companhia, para além de piloto comandante, desempenha inicialmente funções cumulativas no "Gabinete de Segurança de Voo ".

Voa Boeing 727-100/200 e Boeing 737-200.

Em 1985, aos 58 anos de idade e com mais de 25.000 horas voadas, perde a sua licença de voo atingido que foi, por um grave enfarte do miocárdio que o obriga a uma reforma antecipada.

Mantém-se ainda que por pouco tempo, ligado aos centros de formação de pilotos da TAP e posteriormente dedica-se ao simulador de voo que instala no seu PC e que lhe permite sonhar voando aquilo que o destino abruptamente interrompera.

Deixou de poder voar hoje, aos 79 anos de idade, próximo de completar os 80, quando o seu coração deixou definitivamente de bater, cerca das 01:10horas deste domingo dia 21, na terra onde nasceu.

Joaquim Primavera

Parede, dia 21 de Outubro de 2007

Agradeço aos Comandantes Primavera e Vilhena o envio do texto e foto, respectivamente.

4 comentários:

Fado Alexandrino disse...

Conheci-o.
Juntamente com o comandante Flávio era um dos maiores.
Que descanse na Paz que lhe foi negada.

deprofundis disse...

Desde a semana passada que ando verdadeiramente afundado nas confusões inerentes à mudança de casa. Mais uma. Pelo que não tenho prestado atenção ao que se passa por esse mundo fora. E há uma semana que estou sem telefone fixo, porque a PT ainda não o mudou para a nova casa.
As coisas têm sido frustrantes, com toda a gente a falhar, e ninguém se sente obrigado a cumprir as suas obrigações.
Pois, no meio disto tudo, só me faltava esta tristíssima notícia. Perdi um grande amigo, que também foi meu vizinho em Oeiras. Ele morava no 6º direito e eu dois pisos abaixo. Visitava-o com muita frequência, nomeadamente para que ele me ensinasse a "voar" no flight simulator. Homem bom e amigo de verdade.
A vida separou-nos porque vim para a Madeira, mas nunca o esqueci.
À Raquel, sua mulher, quero dar-lhe daqui um forte abraço e manifestar-lhe todo o meu desgosto.

Fernando Vouga

Joana disse...

Eu sou uma das netas dele, em concreto a mais pequena, já mae, com uma filhota a ponto de fazer 2 anos no dia 6 de Novembro. Quem me dera que estivesses aqui, avô, para celebrar os anos da Erika (tua bisneta)..tem muitas características tuas, sobretudo no ser cabeçona e obstinada nas ideias. E se existe alguma coisa depois da vida terrenal, ja sabes que acabei o curso. Espero que estejas contente, pois persegui a minha realizacao profissional como tu a tua. Lots of love. Joana

Luisa Hingá disse...

Joana:
Gostei da sua mensagem para o seu avô. O seu avô não vai faltar ao aniversário da Erika, porque vai estar no vosso pensamento.
O seu avô foi um grande homem e grande piloto.
Beijinhos
Luísa