O Voando em Moçambique é um pequeno tributo à História da Aviação em Moçambique. Grande parte dos seus arquivos desapareceram ou foram destruídos e o que deles resta, permanecem porventura silenciosos nas estantes de muitos dos seus protagonistas. A História é feita por todos aqueles que nela participaram. É a esses que aqui lançamos o nosso apelo, para que nos deixem o seu contributo real, pois de certo possuirão um espólio importante, para que a História dessa Aviação se não perca nos tempos e com ela todos os seus “heróis”. As gerações futuras de certo lhes agradecerão. Muitos desses verdadeiros heróis, ilustres aventureiros desconhecidos, souberam desafiar os perigos de toda a ordem, transportando pessoas e bens de primeira necessidade ou evacuando doentes, em condições meteorológicas adversas, quais “gloriosos malucos das máquinas voadoras”. Há que incentivar todos aqueles que ainda possuam dados e documentos que possam contribuir para que essa História se faça e se não extinga com eles, que os publiquem, ou que os cedam a organizações que para isso estejam vocacionadas. A nossa gratidão a todos aqueles que ao longo dos tempos se atreveram e tiveram a coragem de escrever as suas “estórias” e memórias sobre a sua aviação. Só assim a História da Aviação em Moçambique se fará verdadeiramente, pois nenhum trabalho deste género é suficientemente exaustivo e completo. A todos esses ilustres personagens do nosso passado recente que contra tudo e todos lutaram para que essa história se fizesse, a nossa humilde e sincera homenagem.

A eles dedicamos estas linhas.

José Vilhena e Maria Luísa Hingá

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Quem tiver fotos e/ou documentos sobre a Aviação em Moçambique e os queira ver publicados neste blogue, pode contactar-me pelo e-mail:lhinga@gmail.com

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Por motivos alheios algumas das imagens não abrem no tamanho original. Nesse caso podem selecionar “abrir imagem num novo separador” ou “Guardar imagem como…”.

14/10/23

932 - Estatutos do Clube Aeronáutico do Niassa

Estatutos do Clube Aeronáutico do Niassa

Documento cedido por Luisa e Manuel Oliveira
                                                     












                                                       

 

04/09/23

931 - Falecimento de Fernando Dionísio

 (1946 - 2023)

É com profundo pesar que tivemos conhecimento do falecimento de Fernando Dionísio em Junho de 2023 no Brasil onde residia.
Piloto e instrutor de paraquedismo do Aero Clube de Moçambique, foi um dos impulsionadores desta última atividade juntamente com os irmãos Walter e Flávio Carmelo.
Fernando Manuel de Carvalho Dionísio nasceu em Inhambane a 16 de Agosto de 1946.
Mais tarde foi piloto comercial e reformou-se em Portugal como Comandante da PGA – Portugália Airlines.
(Foto do site BigSlam)

11/01/23

930 - Ilídio Sousa Santos

 Ilídio Sousa Santos

Nasceu a 20 de Abril de 1938 em Lourenço Marques, numa casa que ficava na periferia da cidade mais precisamente no fim da Avenida 24 de Julho (zona da Malanga), ponto mais alto da cidade naquela zona conforme nos conta.
Da varanda da sua casa virada para a barreira não havia qualquer obstáculo, daí avistava todo o cais do Gorjão com os seus majestosos guindastes a funcionar, a carvoeira a despejar a granel vagões de carvão proveniente da África do Sul para os porões dos navios acostados no cais e a gare dos caminhos-de-ferro.
Contudo, o que mais o fascinava era o roncar dos motores do hidroavião que fazia a carreira regular entre Madagáscar e Lourenço Marques. O lugar de amaragem ficava precisamente no términus da ponte de cais até ao Língamo, já na zona da Matola. A descolagem era impressionante. A carreira realizava-se duas vezes por semana.
No fim do cais havia um batelão enorme onde acostava a aeronave e os passageiros desembarcavam.
Em 1946 muda-se para uma nova casa na esquina da Rua João de Deus com a Avenida Pinheiro Chagas, bem perto da Casa Fabião do Alto-Maé, mais uma vez na zona alta da cidade.
Normalmente os aviões da DETA passavam à vertical da sua casa, o que o levava a trepar a um cajueiro frondoso no quintal para uma melhor visualização sempre que escutava o roncar dos seus motores. Eram os trimotores Junkers Ju.52 com o seu revestimento em chapa ondulada, os Lockheed e os célebres Dakota.
Lembra-se que depois da segunda grande guerra terminar ter visto uma esquadrilha de Spitfires a sobrevoar a cidade, foi o êxtase.
Na sua família alguns parentes fizeram parte da grande família aeronáutica Moçambicana. O mecânico e sócio fundador do Aero Clube de Moçambique Bartolomeu Baptista Picollo, seu primo e pai do tenente-coronel Eugénio Picollo, piloto, engenheiro de material aeronáutico e ministro no governo de transição da Frelimo.
José Alfredo Trancoso, seu primo, mecânico-radiotelegrafista da DETA e posteriormente piloto e dono da companhia de táxis aéreos SAM - Serviço Aéreo de Moçambique.
O seu pai era serralheiro-mecânico dos CFM e foi a dada altura colocado em Nampula. Isso proporcionou-lhe voar como passageiro para este destino nas férias escolares, voando todos os aviões da frota da DETA à época, Junkers, Lockheed Eletra e Lodestar, DeHavilland Dove e finalmente o turbo hélice Fokker Friendship, um luxo comparado com os demais.
Voou inúmeras vezes com o Comandante Luís Branco e a Assistente de Bordo Branca.
Curiosamente foi o Comandante Branco que foi seu examinador quando obteve a sua licença de Piloto Particular de Aeroplanos nº 464/PPA/235 a 14 de Fevereiro de 1964, na escola do Aero Clube de Moçambique. Foi o primeiro aluno do instrutor de voo António Furtado Mathias, monitor à época e posteriormente diretor da escola do ACM. Iniciou a sua instrução de voo a 1 de Dezembro de 1962, executou o seu voo de navegação obrigatório com o instrutor a 4 de Janeiro de 1963 e foi largado a solo a 20 de Janeiro desse ano.
Frequentou a Escola Comercial Dr. Azevedo e Silva em Lourenço Marques, tendo profissionalmente trabalhado na JAG - Moçambique Lda e como Técnico de Contas e Diretor na empresa Hillman Bros (LM)(Pty) Limited, mais conhecida por Casa Hilman.
Dedicou grande parte do seu tempo ao serviço do Aero Clube de Moçambique, fazendo parte de muitas das suas direções como tesoureiro e vogal do conselho fiscal até 1975. 
Em Matsapa na Swazilandia, eu, o piloto Viegas e um casal amigo

Chipmunk CR-AEK
Dr.Durão, Luis Barros Moura, Elídio Santos, Romy Dr.Orlando Vieira e Guy Pedro.
Songo, 10/1972
Inhaca
Inhambane
Inhambane
Ilídio Santos e Quim Oliveira
Inhambane
Inhambane
Matsapa
Festival Air Pageant em Durban
Numa deslocação ao Festival Aéreo de Durban em Julho de 1967 fiz uma aterragem de emergência na Zululand, junto ao lago Sibay, por exaustão de combustível graças a um desmesurado vento ciclónico de sul (60 nós). Fui recolhido por um africano de nome John Gumed, que simpaticamente me ofereceu a sua habitual residência (a palhota da foto), e lá passei pelas brasas.
No dia seguinte a polícia sul-africana levou-me ao Mseleni Mission Hospital em Mkuze, que por acaso tinha um avião ambulância de asa alta e assim consegui a gasolina necessária para descolar do local onde aterrara para a pista da dita missão. A pista era de terra batida, muito estreita e as asas do Chipmunk passavam em certos sítios a rasar a vegetação lateral.
Outro pormenor foi que tapei o tubo de pitot com a capa e respetiva bandeirinha, depois da aterragem de emergência como mandam as normas, e na descolagem no dia seguinte não me lembrei de a tirar.
Descolagem curta, apliquei travões a fundo, acelerador no máximo, atenção aos arbustos e capim alto em frente. Quando deitei o olho ao velocímetro o malvado marcava zero.
Já nada havia a fazer, caso contrário levaria à minha frente uns malfadados morros de térmitas. Foi meter a segunda posição de flaps e mantê-lo no ar com muita dificuldade até aterrar na pista de Mseleni. Os meus colegas aviadores devem imaginar o que é descolar e aterrarem péssimas condições sem o velocímetro operativo. Valeu-me a experiência e a ajuda do Xicuembo (Deus).
Nessa deslocação a Durban só meu grande amigo Luís Barros Moura (Bezouro) chegou ao destino, pois levava o bimotor Piper Twin Comanche. Eu, o Rui Monteiro e o Jaime Fajardo tivemos que ficar pelo caminho em sítios que nem lembra o diabo.
Não segui para Durban pois o malvado do magneto do Chipmunk não dava o ressalto, não consegui por o motor em marcha e até fiz bolhas nas mãos de tanto dar ao hélice. No regresso de Durban o saudoso Jaime Fajardo e a esposa aterraram em Mseleni e lá conseguimos que o motor desse sinal de vida e lá segui para Lourenço Marques. À minha espera estava um elemento da PIDE pois a família missionária e americana Morgan tinha relações muito intimas com a Frelimo, especialmente o Sr. Morgan que era o piloto do tal avião ambulância.
Um Festival em que não cheguei a participar graças ao São Pedro e aos azares da mecânica…..

Avião Tripacer CR.AFM

Rui Monteiro, Ilídio Santos, Artur Cardoso, Viegas, Marques Pinto e o Amadeu Ferreira.
Artur Cardoso, Ilídio Santos, Isabel Fajardo, Isabel Ramalhinho, Artur Amaral, Victor Nunes, Lello Ramos, Pitu Fajardo, Jaime Fajardo, Marques Pinto, Maria João Fajardo e Luís Barros Moura.

Inauguração da pista do Songo em Cahora Bassa. Pilotos da FAP, aeroclubes e entidades oficiais. O velhote de gravata preta foi o mecânico no 1º voo Lisboa/Lço.Marques.
Ilídio Santos, Luís Barros Moura


Caderneta de voo do instrutor António Mathias
                                                                   Cartão da FAV

01/07/22

928 - Paraquedismo em Moçambique - Festival do Aero Clube da Beira nos pântanos da Chota a 25 de Julho de 1975 (dia da independência de Moçambique.

 

Festival do Aero Clube da Beira nos pântanos da Chota a 25 de Julho de 1975 (dia da independência de Moçambique.Foto cedida por Francisco Ivo

Festival do Aero Clube da Beira nos pântanos da Chota a 25 de Julho de 1975 (dia da independência de Moçambique)
Foto cedida por Francisco Ivo
Festival do Aero Clube da Beira nos pântanos da Chota a 25 de Julho de 1975 (dia da independência de Moçambique)
Foto cedida por Francisco Ivo
Festival do Aero Clube da Beira nos pântanos da Chota a 25 de Julho de 1975 (dia da independência de Moçambique)
Foto cedida por Francisco Ivo

927 - Aeroclube da Beira

 

Piper PA-28 Cherokee 140F "CR-AQL" Foto cedida por Francisco Ivo 

25 de Junho de 1975 .. Foi no dia da Independência de Moçambique , o último festival aéreo na Beira … nos pântanos da Chota ….

Piper PA-28 Cherokee 140F "CR-AQL" e Cessna 172K "CR-AMN". Ao fundo à direita o Mooney M.20G "CR-AKK" do ACB que anteriormente pertenceu ao Engº Mendes de Oliveira (Mendol)
Foto cedida por Francisco Ivo
25 de Junho de 1975 .. Foi no dia da Independência de Moçambique , o último festival aéreo na Beira … nos pântanos da Chota ….
DHC-2 Beaver "CR-AGS"
Foto cedida por Francisco Ivo
25 de Junho de 1975 .. Foi no dia da Independência de Moçambique , o último festival aéreo na Beira … nos pântanos da Chota ….
Piper PA-28 Cherokee 140F "CR-AQL"
Foto cedida por Francisco Ivo
25 de Junho de 1975 .. Foi no dia da Independência de Moçambique , o último festival aéreo na Beira … nos pântanos da Chota ….
Piper PA-28 Cherokee 140F "CR-AQL"
Foto cedida por Francisco Ivo
25 de Junho de 1975 .. Foi no dia da Independência de Moçambique , o último festival aéreo na Beira … nos pântanos da Chota ….
DHC-2 Beaver "CR-AGS"
Foto cedida por Francisco Ivo
25 de Junho de 1975 .. Foi no dia da Independência de Moçambique , o último festival aéreo na Beira … nos pântanos da Chota ….
OGMA Auster D5/160 "CR-AQS"
Foto cedida por Francisco Ivo

DH.82A Tiger Moth “CR-AAG” – “Beira"
Contracapa da foto do DH.82A Tiger Moth “CR-AAG” – “Beira”.

28/06/22

926 - Manuel Maria da Rocha (1902-1986) cont...

Continuação do artigo 78

https://www.blogger.com/blog/post/edit/34646646/116103488783381013

 Nasceu na cidade da Beira em Moçambique a 8 de Outubro 1902, concluindo os seus estudos em Lourenço Marques em 1922. Pouco depois interessa-se vivamente pela aviação, tendo em 1931 feito parte de um núcleo inicial de aviadores civis Moçambicanos, que na escola do Aero Clube de Moçambique na Vila de João Belo e sob a batuta do instrutor sul-africano James Childs adquire as suas asas.

Quando o Major Sul-africano Allister Mackintosh Miller teve um acidente com o seu Gipsy Moth em 1930 junto ao porto de Lourenço Marques em Moçambique, Manuel Maria Rocha, então funcionário dos serviços técnicos da Companhia de Eletricidade em João Belo, comprou o que dele restava por 3.000 escudos num leilão da Alfandega de Moçambique, e reconstruiu o avião numa garagem de automóveis desta vila ao longo de dois penosos anos. O avião foi testado, após ter sido reconstruído pelo primeiro piloto civil existente naquela colónia Armando de Vilhena Torre do Valle, grande amigo de Rocha e um dos pioneiros da nossa aviação, tragicamente morto por um elefante durante uma caçada a 16 de Setembro de 1937. Coube-lhe batizar o CR-MAC com o nome da terra onde foi reconstruído “Chai-Chai”, já naquela altura assim se conhecia a Vila de João Belo.
Em 1932, Manuel Maria Rocha e Santos Gil dão corpo à criação de uma escola de pilotagem que estará na origem de um projeto mais ambicioso, a constituição da primeira companhia aérea Moçambicana: Aero Colonial Lda.
Operando um Cirrus Moth (CR-MAC), um Puss Moth (CR-MAD) e um Waco de quatro lugares (CR-MAH), a companhia fechou em 1936, quando a DETA (Divisão de Exploração dos Transportes Aéreos) foi criada.
Manuel Maria Rocha, titular da 1ª licença de Piloto de Aviões de Transportes Públicos emitida em Portugal, tornou-se então no primeiro piloto da DETA, tendo em 1944 optado pela SABENA (no ex. Congo Belga) e em 1946 a convite expresso de Humberto Delgado integrado os quadros dos TAP - Transportes Aéreos Portugueses.
Em 1948 Manuel Maria da Rocha é convidado a integrar a SATA, que entretanto tinha adquirido os DeHavilland Dove retomando as operações suspensas desde a queda do seu único Beechcraft UC-45 no ano anterior.
Manuel Maria Rocha deixou a SATA em 1953, retornando a Moçambique sua terra natal, onde dirigiu e reestruturou o Clube Aeronáutico do Niassa, regressando à metrópole em 1961.
Manuel Maria Rocha morreu em Lisboa a 12 de Abril de 1986.





925 - DETA - Divisão de Exploração de Transportes Aéreos de Moçambique

 A 26 de Agosto de 1936 nasceu a Divisão de Exploração de Transportes Aéreos de Moçambique (DETA), que funcionou como uma divisão da Administração da Direcção dos Serviços de Portos, Caminhos de Ferro e Transportes de Moçambique.

Foi a DETA criada pelo Diploma Legislativo n.º 521, publicada no Boletim Oficial n.º 34 - 1ª série da Colónia de Moçambique, com a assinatura do Governador-geral interino em exercício José Nunes de Oliveira, na data acima mencionada (26 de Agosto de 1936).
Aos comandos do DeHavilland Dragon Rapide “CR-AAD”, coube ao comandante Manuel Maria Rocha e ao mecânico Joaquim Antunes da Costa, o feito de terem efectuado o primeiro voo comercial desta empresa, que descolou do Campo Militar da Carreira de Tiro. Iniciaram-se assim as suas operações a 22 de Dezembro de 1937, ligando Lourenço Marques (Maputo) a Joanesburgo, mais precisamente ao aeródromo de Germiston. Contava nesta altura a DETA na sua frota dois DeHavilland DH87B Hornet Moth e um DeHavilland DH90 Dragonfly. As carreiras internas regulares teriam o seu início a 11 de Abril de 1938, ligando Lourenço Marques a Quelimane com escalas em Inhambane e Beira.
Assim nasceu a DETA, como consequência da larga visão do então Director dos Portos Caminhos de Ferro e Transportes de Moçambique Major Francisco dos Santos Pinto Teixeira, que foi o verdadeiro pai desta companhia aérea Africana.
Na sequência de uma visita aos Caminhos de Ferro da África do Sul, especificamente à sua secção de aviação, elaborou o Major Pinto Teixeira um extenso relatório que serviu de base à criação da Divisão de Exploração dos Transportes Aéreos (DETA). Aliás também a DTA em Angola foi criada posteriormente em moldes idênticos. Para suplantar as dificuldades encontradas na aquisição de aviões, treino de pilotos e falta de experiência em operações de voo no transporte aéreo, foi convidado o Major Piloto Aviador Jorge Vasconcelos D’Ávila, oriundo da Aeronáutica Militar que ao declinar o convite abriu caminho à nomeação em 21 de Julho de 1937 do Major Piloto Aviador Álvaro Herculano Pinho da Cunha, também oriundo da mesma arma.
A finalidade da criação da DETA foi sempre a exploração de carreiras regulares entre os principais centros populacionais de Moçambique, e entre estes e os países vizinhos. O pessoal navegante começou por ser criado aproveitando a circunstância de já existir um profissional qualificado no território, o Piloto aviador Manuel Maria Rocha, detentor do certificado de piloto de transportes públicos, além de possuir o curso de mecânico.
Logo após a admissão de Manuel Maria Rocha, sem dúvida o primeiro piloto da DETA, que juntamente com o Major Pinto da Cunha, o piloto sul-africano Daniel Rabeck e o mecânico de voo / operador de rádio Joaquim Antunes da Costa constituíram as primeiras tripulações da DETA.
Foram posteriormente enviados para a África do Sul os alunos pilotos Gabriel Zoio, Borges Delgado e Pires do Vale, além dos mecânicos/radiotelegrafistas Albino Lopes, José Monteiro Júnior, José Amado, Ernesto Barroso, Virgílio Peixoto e Francisco Manuel Fragoso. Em 1938, na escola de pilotagem do Aero Clube de Moçambique, terminava o curso Amaral Ferreira, posteriormente seguido por Luís Branco Faria e Carregal Ferreira. A DETA foi a 2ª companhia mais antiga a operar em África, a seguir à SAA (South African Airways) que nasceu a 1 de Fevereiro de 1934.
1938 foi o ano da sua grande expansão. Foram adquiridos quatro DeHavilland 89-A Dragon Rapide directamente da fábrica inglesa e três trimotores alemães Junkers Ju52, tendo o primeiro chegado a Moçambique a 1 de Julho desse mesmo ano.
Mais uma vez a única companhia africana que recebeu e operou este tipo de equipamento, além da sul-africana South African Airways. Logo no ano seguinte, em 1939, mais dois DeHavilland Dragon Rapide e em 1940 três Lockheed 14 Super Electra.
Foi com um destes aviões, o primeiro, que a DETA teve o seu primeiro acidente grave no dia 23 de Fevereiro de 1944 em Quelimane, na qual morreu o comandante Francisco Pinto Teixeira, filho do então director geral da companhia. Em 1946, chegavam os três primeiros e célebres Douglas DC-3, mais conhecidos por Dakotas, que num total de seis operaram durante quase trinta anos ligando várias localidades nestas longínquas terras africanas. Saliente-se o facto de nunca a companhia ter tido qualquer acidente grave com este tipo de avião, tendo sido retirados de serviço no ano de 1972. Em Fevereiro de 1946 torna-se membro de pleno direito da Associação Internacional de Transportes Aéreos (IATA). Durante 1948 foi a vez de serem integrados quatro DeHaviland DH-104s Dove, um novo tipo de avião que posteriormente veio a ser utilizado noutras antigas colónias portuguesas.
Os Junkers são retirados de serviço em 1950, dada a dificuldade em conseguir sobressalentes para os manter em voar.
Em 1951 são iniciadas as carreiras para Durban e Salisbúria, além de outros pontos no interior de Moçambique. Foi a vez de chegar mais um novo tipo de avião para a companhia, em 1949 um Lockheed Lodestar proveniente dos Estados Unidos, a que se seguiram mais dois DeHaviland Dove em 1950, outro Lockheed Lodestar em 1951, adquirido à Força Aérea Sul-africana, dois DeHavilland Dragon Rapide em 1951 e ainda outro em 1953. Já em 1954 aterrou em Lourenço Marques o último Lockheed Lodestar e em 1955 um DeHavilland Dragon Rapide. Por aqui se vê a dinâmica na expansão desta companhia aérea.
Em 1958 tomou posse um novo Director Geral o Coronel Armando Cerqueira da Silva Paes e foram adquiridos mais dois Dakotas já atrás mencionados, seguidos por um último em 1961.
Em 1960, proveniente da Republica Sul-africana, chega um DeHavilland Beaver, monomotor de trem fixo para voos de fretamento e perfeitamente adequado a pistas curtas (“bush plane” como é mundialmente conhecido). Em Julho de 1962 dá-se o grande salto qualitativo na empresa, quando esta recebe o primeiro de um lote de três Fokker F27 - 200 Friendship, encomendados em 1961. Era o começo da era do turbo propulsor na DETA. Um quarto avião foi adquirido em 1970 para substituir o CR-AIB que se perdeu num grave acidente a 27 de Março desse mesmo ano, ao abortar uma aterragem com um motor em bandeira e o trem em baixo, num voo de treino no aeroporto de Mavalane em Lourenço Marques. Morreram neste trágico acidente os seus três tripulantes.
Uma das suas primeiras hospedeiras, Branca Simões Martins, que entrou para a empresa em 1948 com 19 anos, completou em 1962 a bonita fasquia de 15.000 horas de voo.
Em Outubro de 1968 encomendou a DETA o seu primeiro equipamento a jacto puro, dois Boeing 737-200 que foram recebidos nos finais de 1970, tendo iniciado a sua operação comercial em Fevereiro de 1971.
Foi assim a primeira companhia aérea Portuguesa a operar o bi-reactor de médio curso da Boeing, que ainda hoje, mais de trinta anos volvidos, continuam a operar para a mesma companhia agora designada por Linhas Aéreas de Moçambique (LAM). Ainda durante Novembro de 1971 chegou mais um Boeing 737-200QC, desta vez em versão mista de passageiros e carga, tendo finalmente em 1973 chegado o quarto e último avião desta mesma série. Entretanto um simulador para o B737 foi adquirido para o treino das suas tripulações, sendo uma das primeiras companhias africanas a possuir este tipo de tecnologia própria, ainda hoje em operação no Maputo.
A designação DETA (Linhas Aéreas de Moçambique) foi posteriormente criada pelo Eng. Abel de Azevedo, que entrou para os quadros da companhia como Engenheiro chefe em 1944 e seu Director Geral a partir de 1966. Muito do que a empresa foi a ele ficou a dever. Entre outros pioneiros destacam-se o Eng. Eduardo Marques Leitão, sucessor do Eng. Abel de Azevedo como chefe do departamento de manutenção e que entrou para a DETA em 1948, (antes estivera na DTA em Angola), o Eng. António de Oliveira Mendes desde 1952 e o Eng. Octávio Carolo desde 1960.
Chegamos assim a 1975, ano em que Moçambique se tornou independente, tendo a DETA sofrido profundas alterações que passaram pelo seu estatuto e designação a 14 de Maio de 1980: LAM – Linhas Aéreas de Moçambique.