O Voando em Moçambique é um pequeno tributo à História da Aviação em Moçambique. Grande parte dos seus arquivos desapareceram ou foram destruídos e o que deles resta, permanecem porventura silenciosos nas estantes de muitos dos seus protagonistas. A História é feita por todos aqueles que nela participaram. É a esses que aqui lançamos o nosso apelo, para que nos deixem o seu contributo real, pois de certo possuirão um espólio importante, para que a História dessa Aviação se não perca nos tempos e com ela todos os seus “heróis”. As gerações futuras de certo lhes agradecerão. Muitos desses verdadeiros heróis, ilustres aventureiros desconhecidos, souberam desafiar os perigos de toda a ordem, transportando pessoas e bens de primeira necessidade ou evacuando doentes, em condições meteorológicas adversas, quais “gloriosos malucos das máquinas voadoras”. Há que incentivar todos aqueles que ainda possuam dados e documentos que possam contribuir para que essa História se faça e se não extinga com eles, que os publiquem, ou que os cedam a organizações que para isso estejam vocacionadas. A nossa gratidão a todos aqueles que ao longo dos tempos se atreveram e tiveram a coragem de escrever as suas “estórias” e memórias sobre a sua aviação. Só assim a História da Aviação em Moçambique se fará verdadeiramente, pois nenhum trabalho deste género é suficientemente exaustivo e completo. A todos esses ilustres personagens do nosso passado recente que contra tudo e todos lutaram para que essa história se fizesse, a nossa humilde e sincera homenagem.

A eles dedicamos estas linhas.

José Vilhena e Maria Luísa Hingá

========================

Quem tiver fotos e/ou documentos sobre a Aviação em Moçambique e os queira ver publicados neste blogue, pode contactar-me pelo e-mail:lhinga@gmail.com

=======================

Por motivos alheios algumas das imagens não abrem no tamanho original. Nesse caso podem selecionar “abrir imagem num novo separador” ou “Guardar imagem como…”.

11/07/11

752-MEMÓRIAS PARA UM “BUSH PILOT” - MEMÓRIA DÉCIMA TERCEIRA


INHASSORO:
Pode parecer-vos estranha a escolha deste título para ilustrar a apresentação desta MEMÓRIA!
Não se trata da tragédia Shakespeariana que nos conta a história do amor de dois adolescentes, “Romeu e Julieta”, passada na linda cidade de Verona em Itália, onde duas famílias notáveis, os Capuleto e os Montéquio, acabaram por transformar em guerra as suas antigas desavenças, manchando de sangue as suas mãos.
É no seio destas duas famílias inimigas que nascem dois jovens que acabam ligados por um grande e trágico amor que nem a morte os conseguiu separar. Amor este que consegue afinal com o seu trágico desfecho, que as duas famílias até aí divididas, acabem finalmente unidas.
Romeo and Juliet (no título original em inglês) escrito por William Shakespear entre 1591 e 1595 nos primórdios da sua vasta e imortal carreira literária escolhe este tema que foi posteriormente musicado por Gounod para uma ópera, e por Tchaikovsky e Prokofiev para os seus bailados.
Quanto à cinematografia, ainda sobre este tema, foram vários os filmes realizados, tais como Romeu e Julieta, de George Cukor (1936), Romeu e Julieta, de Franco Zeffirelli (1968) e Romeo and Juliet, de Baz Luhrmann (1996).
Refiro-me ainda ao “Amor de Perdição”, a novela escrita em 1862 por um dos expoentes do romantismo em Portugal, Camilo Castelo Branco, que se inspirou nas suas muitas e delicadas desventuras amorosas e também na tragédia de Romeu e Julieta.
Finalmente: - a razão para a escolha deste título foi de certo a relação entre estes dois jovens que é ainda hoje considerada o paradigma do amor juvenil, o mesmo que inspirou os protagonistas desta pequena aventura que antecipo nesta DÉCIMA TERCEIRA MEMÓRIA PARA UM BUSH PILOT.

Foi numa tarde quente, já depois do meio-dia, que descolei com destino ao Inhassoro, no Cessna 172, uma nova aeronave que viera acrescentar-se à frota dos TAM, com a finalidade de transportar para a Beira um jovem casal em lua-de-mel.
Estávamos no mês de Junho na altura em que as noites já principiavam a refrescar, no início da estação seca que dura cerca de uns seis meses.
A atmosfera estava praticamente sem humidade. A visibilidade era por isso enorme o que nos permitia logo à saída da Beira descortinar os contornos da Baía de Sofala e a ilha de Chiloane, mais a Sul, com todos os recortes que as inúmeras linhas e veios de água traçavam no seu leito arenoso.
Para nossa segurança encostávamos ligeiramente a estibordo, para o lado do continente, voando perto da povoação de Nova Sofala, não fosse acontecer algo ao único motor da nossa aeronave que nos obrigasse a uma aterragem de emergência!
Passamos depois junto à ilha de Chiloane e em breve se começou a descobrir a foz do rio Save com os inúmeros braços do seu delta que facilitavam que as suas águas se lançassem tranquilamente no canal de Moçambique correndo sobre um leito de belas areias brancas que se adivinhavam lá do alto onde voámos, cobertas por cristalinas águas de cores que variavam em tonalidades desde o verde-esmeralda até ao profundo azul do oceano.
Em breve avistávamos a ponta de Bartolomeu Dias que se estendia para Sul em direcção ao arquipélago do Bazaruto por praias de areia branca em mais de 40 quilómetros.
Era aqui, nestas extensas praias de águas límpidas, que umas poucas comunidades de pescadores retiravam do mar o pescado que lhes permitia complementar o magro sustento que as respectivas mulheres conseguiam sacar nas dunas arenosas, do pouco que a mandioca ou o milho ali plantados lhes propiciavam!
As largas amplitudes das marés nestas praias, permitiam que na baixa-mar aterrassem na areia ainda húmida pequenas aeronaves que as utilizavam como verdadeiras pistas, obrigando-nos apenas a uma acção preventiva que consistia em aliviar as pressões dos pneumáticos para evitar que eventualmente se pudessem enterrar.
O pescado era assim escoado facilmente para o aeroporto da Beira donde seguia posteriormente para o mercado local ou para revendedores na Rodésia do Sul (actual Zâmbia).
Nas falésias que se debruçavam sobranceiras sobre as águas do mar junto ao Inhassoro foram aos poucos aparecendo umas pequenas edificações rústicas em madeira, os “bungalows”, construídos inicialmente por alguns pilotos rodesianos que atraídos pela beleza selvagem daquelas praias vinham repousar com as respectivas famílias nos intervalos das suas viagens de transporte do peixe comprado aos pescadores no local.
Surge assim um acampamento turístico, a SETA, que ainda hoje consta das promoções turísticas do Inhassoro e que foi durante muitos anos propriedade de um “BUSH PILOT”, o Leonel que aliava a actividade de agente turístico à de transportador de peixe.
Mais tarde, com a edificação de instalações frigoríficas para armazenamento do pescado anexas ao hotel do Inhassoro, propriedade do conhecido industrial Joaquim Alves e finalmente com a construção de uma pista de aterragem, foi aos poucos desaparecendo aquele arriscada quanto excitante actividade de transporte do peixe comprado aos pescadores nas praias de Inhassoro.
Recordo-me que a par da sensação da adrenalina injectada na corrente sanguínea que aumentava a frequência do nosso batimento cardíaco em cada aterragem e em cada descolagem, perdurava por muito tempo na nossa pituitária, aquele cheiro horrível e persistente de peixe, agravado por vezes em situações imprevistas, como a que sucedeu naquele dia em que o nosso colega Moura perdera a roda de nariz do “tripacer” à descolagem do Inhassoro, sem que desse por tal!
Somente quando fazia a aproximação ao aeródromo, o controlo da Beira, avistando-o, avisou-o de que iria aterrar sem a roda de nariz.
Com uma calma e profissionalismo impressionantes o Moura poisou o avião suavemente na pista mantendo-o sob controlo até que perdendo velocidade, acabou por capotar.
O peixe que era normalmente transportado na pequena bagageira e nos bancos posteriores em latas vazias de 20 litros de gasolina, sem qualquer tampa ou cobertura protectora, espalhou-se por todo o habitáculo introduzindo-se pelo colarinho da sua camisa branca, de tal modo que dificilmente se distinguiria entre o peixe e o Moura que fedia!

Havia já voado uns quarenta e cinco minutos quando já próximo da pista do Inhassoro notei, por uma certa sensibilidade que a experiência nos ia aos poucos aprestando (de que já o nosso grande Épico dizia ao referir-se ao “velho do Restelo” como alguém “cum saber só de experiências feito”), que algo de anormal se passava com o funcionamento daquele motor.
De imediato seleccionei o magneto esquerdo que se comportou normalmente e de seguida o magneto direito – o motor calou-se de imediato, o que me levou a refazer a situação anterior.
Conclusão: - o magneto direito tinha, como sói dizer-se, dado o berro!
Nada mais havia a fazer pois que sem a ignição assegurada pelos dois magnetos, não me seria permitido descolar. Limitei-me a comunicar a situação ao nosso escritório através do centro de controlo da Beira, na frequência de rota do meu equipamento rádio e que aguardaria no Inhassoro que viesse uma equipa de manutenção na manhã seguinte com a finalidade de substituir o magneto queimado para regressar à Beira.
A aviação tem destes contratempos … mas a segurança foi algo que nunca descurei, pelo que os meus passageiros tiveram de adiar por mais umas horas a viagem de regresso, o que, acrescente-se, em nada lhes desagradou!
Foi na varanda da sala de jantar, já depois de terminada a refeição da noite, que, em amena conversa, absorvendo a fresca brisa que vinha do mar passei a conhecer a história deste casalinho aqui recordado!
Não me perguntem os seus nomes porque não sei nem interessa para a história que vos irei contar, a história destes dois, Romeu e Julieta.
Ela, uma linda jovem de tez branca que o Sol do Inhassoro havia colorido de um leve rubor. Os olhos de um castanho profundo reflectiam uma forte determinação interior. Mas pasmem agora: o cabelo, outrora farto, fora rapado à escovinha e começava a despontar timidamente, envergonhado, numa cabeça levemente rosada pelo Sol que a acariciara durante os dias passados na praia.
Ele, um jovem mulato de compleição atlética que a vida ao ar livre permitira desenvolver, de tez morena com um rosto onde a barba mal despontara e onde se esboçava um sorriso confiante.
E contava-me a agitada aventura em que se haviam envolvido, esta que agora vos passo a descrever da maneira como deles entendi:

Conheciam-se há muito tempo e como bons amigos partilhavam as brincadeiras com os outros jovens condiscípulos de escola e da rua onde moravam.
Um dia algo surgiu mais forte do que a companhia em que dividiam os seus encontros e em breve se tornou perceptível que mais do que uma amizade crescia entre eles uma bela paixão que os despertava para um profundo amor!
Se as relações entre os dois jovens eram até então olhadas pelos seus progenitores como algo de inocente e natural, quando se aperceberam de que mais do que uma amizade nascia entre eles um sentimento mais forte, saltou para a ribalta um sentimento que até aí não se haviam apercebido e que conduziria a um comportamento racista de exclusão social.
É que o jovem Romeu não era afinal da mesma raça da Julieta, era um mestiço, facto este que só surgiu visível com esta nova relação que eles se dispunham a partilhar pela vida fora.

Permitam-me que interrompa esta pequena narrativa para vos testemunhar quão difícil era nos anos cinquenta e sessenta, a vida entre duas pessoas de raça ou de culturas diferentes que decidissem juntar-se, confrontando a corrente normal de comportamentos e atitudes culturais de racismo e de descriminação social, como as que ainda hoje perturbam as relações entre os cidadãos em todo o mundo e nas sociedades em particular!
Eu próprio, quando anos antes decidi que a minha namorada de então, a mulher que partilha há cinquenta e quatro anos a minha vida, seria a pessoa com quem iria casar, fui pressionado por amigos que me diziam com toda a sinceridade em que acreditavam: - reconhecemos que a garota é bonita, sabemos que é culta, que tem instrução … mas já reparaste que pertence a outra raça com costumes próprios (?) talvez diferentes dos nossos … se há tantas garotas brancas tão giras como ela, porque não escolhes uma para casar?

Ora os nossos, Romeu e Julieta decidiram também não acatar os conselhos paternalistas dos seus progenitores e continuaram com os seus encontros desafiando os sequestros a que os pais dela com frequência a sujeitavam, até que finalmente estes se decidiram por uma solução demasiado radical mesmo para aquela época:
- Cortaram e escanhoaram constrangidamente os belos caracóis de Julieta com uma navalha afiada para o efeito, deixando-lhe um crânio envergonhado, exibindo a nudez a que fora obrigado!
Romeu desesperado, acariciando o belo rosto da sua amada desconsoladamente lavado em lágrimas, decide ali mesmo fugir com Julieta, terminando com a afronta a que havia sido impiedosamente sujeita.
E voaram para o Inhassoro para a sua tão desejada, quanto negada, lua-de-mel.

A noite já ia longa quando terminamos a nossa interessante conversa!
O Sol levantara-se preguiçosamente horas depois, sobre as praias do Inhassoro cobertas por uma ligeira neblina.
O ruído de um motor anunciara a chegada de um avião da nossa frota que trazia o meu amigo, o mecânico Serafim, para proceder à reparação da minha aeronave.
O Serafim era portador de uma estranha e intrigante mensagem enviada por “alguém” dos TAM, que me entregou disfarçadamente em mão, e que comunicava assim:
- Senhor Primavera. Esta mensagem é só para si. Não a divulgue a ninguém. Não aterre de modo algum no Aeródromo da Beira. Quando estiver próximo desvie-se sem demora para a pista do Dondo onde o esperam. Depois explicarei!

Sem me deixar impressionar pelo teor da mensagem, preparei o voo com destino à Beira tendo o cuidado de antecipadamente verificar a direcção para o Dondo, caminho esse que eu iria tomar logo após a descolagem e que diferia cerca de uns vinte graus do necessário para chegar à Beira.
Com a manhã ainda fresca, com o avião a funcionar em perfeitas condições descolamos do Inhassoro com o plano de voo previsto para a Beira, devidamente participado no primeiro contacto com o controlo aéreo regional.
Os passageiros olhavam em silêncio a paisagem que se desenrolava sob os nossos pés reflectindo provavelmente no turbilhão da sua recente vida e na incerteza do que os esperaria agora à chegada.
Eu, atento aos instrumentos de bordo e em escuta permanente nas frequências rádio assinaladas, meditava sobre a história que havia conhecido na véspera, pilotando com movimentos suaves os comandos do meu Cessna 172 corrigindo qualquer desvio de rota ou de altitude. Recordo que a maior parte destas pequenas máquinas não possuíam um piloto automático pelo que todo o voo era conduzido manualmente!
A menos de dez minutos da chegada prevista para a Beira, informei o controlo que alterava o destino do meu voo para o Dondo, em cuja pista aterraria dentro de cinco minutos.
Aproximando-me do estacionamento junto a uma pequena e improvisada barraquinha de acolhimento dos passageiros, vi que simultaneamente ali chegava uma limusina azul escura, donde saíram uma série de indivíduos, que soube depois, eram os amigos de Romeu e Julieta e ainda aquela pessoa que me enviara a estranha mensagem!
A limusina seguiu viagem com os meus passageiros e eu rumei à Beira onde, confortavelmente instalado no gabinete climatizado da gerência dos TAM, a D. Orquídea Guerra me esclareceu sobre aquela estranha aventura em que acabei involuntariamente envolvido.
Não se adivinha como, mas os pais de Julieta souberam da sua viagem até ao Inhassoro pelo que averiguaram junto dos TAM a data do seu regresso.
No dia previsto, juntaram-se aos pais de Julieta os familiares mais chegados, que com um ar impaciente questionavam a curtos intervalos sobre a hora de chegada do avião.
Ora quando por mero acaso se verificou o adiamento da vinda motivada pela avaria dos magnetos, o grupo que decerto ali estava com intenções de represálias contra o jovem casal retirou, sem que antes se tivessem informado da possível hora de regresso do meu avião.
Numa reacção de compreensível simpatia para com Romeu e Julieta, D. Orquídea enviara-me a mensagem a que me referi, ao mesmo tempo que informava os bons amigos do jovem casalinho para os irem recolher na pista do Dondo!
E o resto já conhecem!

Em jeito de epílogo, confesso-vos que me sinto satisfeito por ter partilhado convosco esta breve história destes meus, Romeu e Julieta, cujas vidas, longe de terem terminado em trágico desespero shakespeariano, revivem nas minhas recordações daquelas límpidas águas das praias do Inhassoro.

Onde estarão e como estarão? Pergunto-vos a terminar, Romeu e Julieta, na certeza de que não colherei uma qualquer resposta.

Parede 24 de Junho de 2011


28/06/11

751-CR-ACM da DETA

O Dove CR-ACM no Lumbo

Foto de Eurico Meirelles

19/06/11

749 - TAC - Transportes Aéreos Comerciais.

Os Transportes Aéreos Comerciais (TAC) iniciaram a sua operação em Nampula em 1966. A maior parte das suas operações realizavam-se em conjunto com a TAM da Beira, sendo o seu principal acionista Rolando Marques de Almeida Mendes. A partir de 1970 passa a pertencer ao grupo EMAC - Empresa Moçambicana de Aviação Comercial.
 Rockwell 500S Shrike Commander "CR-AOB"

 Piper PA-30 Twin Comanche 160B "CR-AJM
 Piper PA-23 Aztec 250C "CR-AJS"
 Rockwell 500S Shrike Commander "CR-AOA"
 Cessna 206B "CR-AKD"
 Cessna 401 "CR-AKN"
Cessna 401 "CR-AKN"
Espólio de António Mathias
 Rockwell 500S Shrike Commander "CR-AOA" 

TAC - Transportes Aéreos Comerciais
Rockwell 500S Shrike Commander "CR-AQM"
Foto de Abel Santos

Piper PA-23 Aztec 250C "CR-AJS"Foto de Filipe Abreu

Piper PA-23 Aztec 250D "CR-ALA". Foto de Filipe Abreu

Cessna 401 "CR-AKN". Foto de Filipe Abreu

Cessna 401 "CR-AKN" dos TAC
Nangololo - 09/04/1970
Foto de João Ribeiro Silva 

24/05/11

748-Livro publicado pela APPLA sobre a obra e a vida do Cte. Luis Santos da Costa Branco - "33.800 Horas"



O livro publicado pela APPLA (Associação de Pilotos Portugueses de Linha Aérea) sobre o percurso profissional e a vida do Cte. Luis Santos da Costa Branco: "33.800 Horas".
A Gala **contou com a presença de muitos amigos e antigos colegas da DETA. Finalmente a justa homenagem ao Cte. Branco.


O Voando em Moçambique associa-se a esta homenagem, tendo participado com a cedência de muitos dos seus documentos e fotografias para a edição deste livro. cuja autora foi a Jornalista Rita Tamagnini.

**Prémio Homenagem Carlos Bleck ao Comandante Luís Costa Branco
Jantar de Gala
Palácio dos Seteais, 23 de Maio de 2011

21/05/11

747- Evacuações aéreas nocturnas



Em Moçambique, até 1966 as evacuações aéreas nocturnas de militares feridos ou doentes com gravidade eram realizadas pela Força Aérea Portuguesa que utilizava normalmente o Dornier DO-27. Acontecia por vezes que mesmo civis eram igualmente evacuados, sempre que o perigo de vida o justificava. Nestes casos o pedido era normalmente feito pela entidade administrativa, ou, quando se tratava de militares, pelo comandante da unidade militar para o respectivo Comando do Sector. Em qualquer dos casos era a indicação médica que determinava este pedido. Era um serviço muito estimado e apreciado pelas populações, simultaneamente enquadrado na perfeição nos programas de “Psico-Social” promovidos pelos militares e pelo governo época.

Durante a minha permanência no Aeródromo Base nº 5 (Nampula), de Junho de 1963 a Outubro de 1965 onde fui 2º Sarg. Piloto (Miliciano), efectuei algumas evacuações deste tipo, tanto de civis como de militares.

A partir de 1966 este serviço acabou. Desconheço quais as razões que justificaram tal decisão cujas consequências foram muito lamentadas por todos, civis e militares.

A determinação foi de tal modo radical que em 1968, era eu piloto da companhia de Táxis Aéreos TAN – Transportes Aéreos do Niassa, quando me foi pedida uma evacuação de Nova Freixo para Vila Cabral, ao chegar ao AB-6 verifiquei incrédulo que se tratava de evacuar dois soldados da Polícia Aérea feridos com gravidade por a uma rajada acidental com arma de fogo. Nunca imaginei que as restrições com estes voos nocturnos abrangessem o próprio pessoal da Força Aérea.

Como piloto civil e ex-piloto militar senti-me desconfortável com este voo, pois voava já na primeira condição e estava perante uma evacuação aérea de dois elementos da Força Aérea, entre duas das suas unidades, (AB-6 e AM-61). A imagem gloriosa e brilhante que eu detinha da FAP esmoreceu bastante naquela noite.

Os milhares de militares e civis distribuídos pelo imenso território Moçambicano, incluindo os da própria Força Aérea, não poderiam mais contar com o inestimável apoio da FAP nesta área tão sensível, ou não se tratasse da própria vida ou morte.

Só o recurso aos Táxis Aéreos poderia resolver este complicado problema, pois não havia mais ninguém para os ir lá buscar.

Foi assim que aconteceu. A responsabilidade que caiu sobre nós, o poder de decisão entre ir ou não ir, salvar ou deixar morrer, levou-nos muitas vezes a correr riscos difíceis de imaginar.

Ao longo desses sete anos foram centenas os militares evacuados nestas condições, havendo muitos que provavelmente ficaram a dever a própria vida ao eficiente e praticamente desconhecido serviço dos Táxis Aéreos e dos seus pilotos.

Foram menos de 40 os pilotos que durante tão largo período asseguraram este serviço, muitas vezes em condições extremamente perigosas e difíceis. Apesar de tudo, os acidentes graves com os seus aviões foram muito poucos. A grande maioria era experiente, conheciam bem o terreno e as pistas onde operavam diariamente.

Eram voos sem interesse comercial para as empresas, pois os seus ocupantes (pilotos e evacuados) bem como os próprios aviões operavam a descoberto de qualquer apólice de seguro.

Face a um imprevisto acidente, fosse ele um pequeno toque, a morte dos seus ocupantes ou a perda total da aeronave, o responsável era sempre e tão só o seu piloto, única pessoa a quem competia aceitar ou não a execução do voo.

Texto e foto de Vitor Silva

20/05/11

746-Cte. Henrique Correia

Cte.Henrique Correia, Maria Dilia Mascarenhas e Quina Ribeiro

Fotos cedidas por Paula Correia

02/05/11

745-Memórias de um aviador em África



Cte. Loureiro Peixoto e Cte. Vítor Silva

Ao ver uma fotografia do Capitão Loureiro Peixoto aqui publicada, lembrei-me do período de quase um mês (23/06 a 17/07/73) em que com o mecânico Pinto, tripulámos o Dakota do SAC CR-AHB pedido da Secretaria Provincial de Comunicações para o colocar ao serviço das equipas portuguesas de pára-quedismo que participariam no campeonato mundial a realizar em Salisbury nos dias 7, 8 e 9 de Julho/73.

Não sei porque razão foi escolhida a Beira para base dos lançamentos de treino e exibições de grupo. A maioria dos pára-quedistas civis utilizava habitualmente aviões pequenos, normalmente Cessnas. Por isso era importante aproveitar um avião com aquela capacidade para determinados números.

Nesses dias estavam também nesta cidade dois ou três elementos da entidade internacional que ia homologar o campeonato e que tinham logicamente outras competências nesta área. As nossas equipas aproveitaram essa presença para oficializar o “Record” que já aqui referi (salto nocturno de 20.000 pés sem oxigénio). Com essa finalidade fizeram-se também várias tentativas para executar entre outras a maior estrela nacional em queda livre, mas tal não foi conseguido.
Eram três as equipas portuguesas:
  • Aero Clube Universitário de Lisboa (ACUL) constituído por páras militares, com sede em Lisboa e liderado pelo Cap. Avelar de Sousa.
  • Aero Clube de Angola Clube, sendo a maioria dos elementos (alguns femininos) do Aeroclube de Carmona - Uige
  • Aero Clube da Beira, do qual faziam parte o Dion Hamilton, Carmo Jardim, Ferreira da Costa, entre outros.
Havia ainda um grupo de quatro ou cinco GEP’s (Grupos Especiais Pára-quedistas - Milícias negras pára-quedistas) que não participavam no campeonato e foram apenas dar uns saltos de exibição.

No dia 6 de Julho saímos da Beira para Salisbury (Harare). O aeródromo de destino era o Prince Charles localizado a Noroeste da cidade cerca de 15-20 kms, onde havia um simpático motel, cujos bungalows tinham nomes de aves. Achei muita graça; esperava que fossem números (gente do mato). Transportámos os pára-quedas, as meninas pára-quedistas e o Eng.º Walter Caramelo da DETA, também pára-quedista mas que tinha um braço partido e era apenas espectador. Os páras (matchos) chegaram de machimbombo bastante mais tarde.

As equipas portuguesas classificaram-se bastante bem tendo vencido a Suiça.

Houve dois pequenos incidentes: O Hamilton partiu um pé por aterrar no tejadilho dum automóvel que como muitos outros, se encontrava próximo dum alvo.

O outro aconteceu com um GEP que lançámos para exibição mas que quando aterrámos ainda ele pairava praticamente à altitude de lançamento. Não conseguia descer. A altitude da pista era de cerca de 4500 pés e ele pairava por volta dos 6000, umas vezes mais alto, outras mais baixo. Acabou por aterrar a vários Kms do aeródromo. Não conseguiu boleia, pois era uma figura exótica e até temível para qualquer condutor.

É fácil imaginar o que passaria pela cabeça dum automobilista a quem um negro, de fato de voo, com o para-quedas enrolado às costas pedisse boleia. Apareceu, já bem de noite, trazido pelas autoridades

Muitos episódios interessantes foram acontecendo neste mês, mas já vai longa a escrita. A figura castiça do Pinto (mecânico do avião) daria só por si um texto saboroso, mas fica para outra ocasião.

Os elementos confirmáveis pela minha caderneta de voo têm obviamente suporte escrito. Todos os outros são citados de memória pelo que poderei referir involuntariamente algumas imprecisões.

Texto de Vítor Silva

10/04/11

743-Fotografias aéreas do Régulo Luís, Beira, Moçambique, tiradas a bordo do Tiger Moth CR-AFP em 1963




Fotos do Cte. Luis Vieira da Silva, instrutor do Aeroclube da Beira entre 1963 e 1964, enquanto esteve colocado na BA 10, com piloto de PV-2, tiradas a bordo do Tiger Moth “CR-AFP” em Maio de 1963 , , voando sobre a área do Régulo Luis.

10/03/11

742-Baptismo do Namúli - Dakota "CR-ABK" da DETA

Cerimónia de Baptismo deste avião, quando foi adquirido pela DETA em 1946, cuja madrinha foi Maria Thereza Carregal Ferreira, filha do Comandante João Maria Carregal Ferreira.
CR-ABK - Namúli
Maria Thereza Carregal Ferreira e Carlota Lobo
Sra. de Pinto da Cunha

Sra. de Pinto da Cunha

Maria Thereza Carregal Ferreira e a caixa que lhe foi oferecida quando do baptismo do Namúli. Nela pode ver-se em relevo a imagem do Namúli.
Fotos enviadas por Maria João Carregal Ferreira

01/03/11

741-TEXTAVEX



Piper PA-25 Pawnee 235B "CR-AJJ"

Piper PA-25 Pawnee 180 "CR-AOJ"

Piper PA-25 Pawnee 180 "CR-AOJ"
Piper PA-25 Pawnee 235C "CR-AOQ"

Piper PA-18 Super Cub 150 "CR-AQU"

Grumman G.164A Agcat "CR-APX"

740-CAPA-Companhia Aérea de Pulverizações Agricolas, SARL



CR-APE
CR-API

739 - CAFUM - Companhia de Fumigações de Moçambique


CR-AJJ
Foto: Paulo Cunha

CR-AJJ
CR-AJJ - Foto tirada em Montepuez, quando era piloto de Pulverização Aérea, no Piper Pawnee da CAFUM. Creio que foi em 1969 ou 1970.
Foto e legenda: Paulo Cunha
Piper PA-25 Pawnee 235B "CR-AJJ"
Espólio de António Mathias