
Espólio do Enfermeiro da DETA António Augusto Rocha
O Voando em Moçambique é um pequeno tributo à História da Aviação em Moçambique. Grande parte dos seus arquivos desapareceram ou foram destruídos e o que deles resta, permanecem porventura silenciosos nas estantes de muitos dos seus protagonistas. A História é feita por todos aqueles que nela participaram. É a esses que aqui lançamos o nosso apelo, para que nos deixem o seu contributo real, pois de certo possuirão um espólio importante, para que a História dessa Aviação se não perca nos tempos e com ela todos os seus “heróis”. As gerações futuras de certo lhes agradecerão. Muitos desses verdadeiros heróis, ilustres aventureiros desconhecidos, souberam desafiar os perigos de toda a ordem, transportando pessoas e bens de primeira necessidade ou evacuando doentes, em condições meteorológicas adversas, quais “gloriosos malucos das máquinas voadoras”. Há que incentivar todos aqueles que ainda possuam dados e documentos que possam contribuir para que essa História se faça e se não extinga com eles, que os publiquem, ou que os cedam a organizações que para isso estejam vocacionadas. A nossa gratidão a todos aqueles que ao longo dos tempos se atreveram e tiveram a coragem de escrever as suas “estórias” e memórias sobre a sua aviação. Só assim a História da Aviação em Moçambique se fará verdadeiramente, pois nenhum trabalho deste género é suficientemente exaustivo e completo. A todos esses ilustres personagens do nosso passado recente que contra tudo e todos lutaram para que essa história se fizesse, a nossa humilde e sincera homenagem.
A eles dedicamos estas linhas.
José Vilhena e Maria Luísa Hingá
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Quem tiver fotos e/ou documentos sobre a Aviação em Moçambique e os queira ver publicados neste blogue, pode contactar-me pelo e-mail:lhinga@gmail.com
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Primeira visita do B 747 a Beira , foto ou de Joao Roque Marques ou o seu irmão José.
Foto de Alexandre Pereira
Jorge Pereira Veloso, nasceu a 17 de Dezembro de 1927 na cidade de Joanesburgo.
Alistou-se na Força Aérea Sul-africana como voluntário, tendo completado o treino de voo no caça Spitfire em 1945, pelo que foi mobilizado para o destacamento da Royal Air Force Sul-africana que combatia os alemães no Norte de África.
Com a capitulação da Alemanha em 7 de Maio de 1945, não chega a integrar aquela força e é desmobilizado posteriormente.
Vai para Moçambique, onde residia o seu pai, funcionário administrativo, entrando como aluno piloto para a escola de pilotagem da DETA, tendo obtido em 19 de Fevereiro de 1948 a licença de " Piloto Aviador de Transporte Público ".
Na DETA voou praticamente todos os aviões da companhia: Junkers JU-52, Dragon Rapid, Dragonfly, Dove, Dakota, Lockheed 14, Fokker Friendship F-27 (turbo hélice) e Boeing 737-200.
Foi instrutor e verificador, tendo desempenhado o cargo de Piloto Chefe da DETA, onde deixou profundas marcas de renovação e progresso aeronáutico com destaque para a segurança do voo.
Deixa a DETA em 1973, entrando para a TAP nesse mesmo ano.
Na nova companhia, para além de piloto comandante, desempenha inicialmente funções cumulativas no "Gabinete de Segurança de Voo ".
Voa Boeing 727-100/200 e Boeing 737-200.
Em 1985, aos 58 anos de idade e com mais de 25.000 horas voadas, perde a sua licença de voo atingido que foi, por um grave enfarte do miocárdio que o obriga a uma reforma antecipada.
Mantém-se ainda que por pouco tempo, ligado aos centros de formação de pilotos da TAP e posteriormente dedica-se ao simulador de voo que instala no seu PC e que lhe permite sonhar voando aquilo que o destino abruptamente interrompera.
Deixou de poder voar hoje, aos 79 anos de idade, próximo de completar os 80, quando o seu coração deixou definitivamente de bater, cerca das 01:10horas deste domingo dia 21, na terra onde nasceu.
Joaquim Primavera
Parede, dia 21 de Outubro de 2007
Agradeço aos Comandantes Primavera e Vilhena o envio do texto e foto, respectivamente.
A DETA - Divisão de Exploração de Transportes Aéreos, foi sem sombra de dúvida e sem qualquer desprimor para as demais “Uma Grande Companhia”.
Bem-haja Dr. José Manuel Correia por mais este contributo.
Não posso contudo deixar de alertar para algumas imprecisões, que a meu ver não coincidem com a veracidade dos factos.
A DETA teve a sua primeira designação como Divisão de Exploração de Transportes Aéreos e não Direcção de Exploração de Transportes Aéreos como afirma e bem no título principal do artigo, e menos bem no preâmbulo do mesmo.
A DETA dependia organicamente e funcionava como uma Divisão da Direcção dos Portos Caminhos de Ferro e Transportes de Moçambique, possuindo cinco Serviços na sua dependência.
Só muitos anos mais tarde a sua designação foi alterada de Divisão para Direcção, após ter sido separada da Direcção que lhe tinha dado origem.
A sua criação foi a 26 de Agosto de 1936, (não em 1935), por via do Diploma Legislativo n.º 521, publicado nessa data no Boletim Oficial n.º 34 - 1ª série da Colónia de Moçambique, com a assinatura do Governador Geral interino em exercício José Nunes de Oliveira. Não devemos contudo deixar de mencionar o facto de ter sido o Governador-geral Coronel José Cabral, o obreiro de todo o trabalho de apoio a nível do Governo da Colónia.
Manuel Maria Rocha é sem sombra de dúvida o primeiro e um dos grandes impulsionadores da DETA, assim como Daniel (Dan) Rabeck, o piloto nascido na Látvia e que foi inicialmente contratado pela De Havilland para efectuar o voo “ferry” do primeiro Dragon Rapid comprado pela DETA, das suas instalações em Baragwanath na Àfrica do Sul onde tinha sido montado.
Certamente muitos outros pioneiros fizeram parte da verdadeira história desta companhia aérea, atrevendo-me a salientar entre os que participaram na sua fundação, o mecânico Joaquim Antunes da Costa e o Engº Aeronáutico Carregal Ferreira contratado a 23 de Outubro de 1937 para ocupar o lugar de chefe do material e oficinas.
Na sua fundação a DETA tinha nos seus quadros: 1 Engenheiro chefe de divisão, 1 Piloto, 1 Ajudante de guarda-livros, 1 Ajudante de escritório, 1 Mecânico, 1 Praticante de estação e 1 Fiel de depósito.
Ao mencionar e bem o malogrado Francisco Assis Camilo Pinto Teixeira, filho do então director geral da companhia, outros pioneiros não deverão ser esquecidos, como os pilotos Gabriel da Visitação Zoio, Carlos Borges Delgado Júnior, José Maria Pires do Vale, Amaral Ferreira, Álvaro Nogueira, Flávio de Carvalho, João Maria Carregal Ferreira, Luís Santos da Costa Branco, Miguel Faria Peixoto, os mecânicos/rádio telegrafistas Albino Duarte Lopes, José Monteiro Júnior, José Amado Neves, Francisco Ernesto Barroso, Virgílio Peixoto, Francisco Emanuel Leite Fragoso e tantos outros que ajudaram a construir o que foi e ainda é a grande Companhia Aérea Moçambicana.
Faz este mês 90 anos, aquele que foi um dos decanos da DETA, durante vários anos seu Instrutor, Verificador e Piloto Chefe. A Aviação em Moçambique muito ficou a dever ao Comandante Luís Santos da Costa Branco, pelo grande labor, empenhamento, esforço e entusiasmo. Para as novas gerações de pilotos foi sempre um marco e uma referência.




Dados do 1º voo 747 a Lourenço Marques e Beira:
B747-282B - CS-TJA “Portugal”
04/06/1973- TP225: Aterrou em Lourenço Marques às 11:00 GMT.
04/06/1973 - Voo local de apresentação TP SP06: 1245-1345GMT
04/06/1973- Lourenço Marques - Beira TP292: 1515-1635 GMT
Tripulação Técnica:
Comandante. Ferreira
Copilotos: Cassiano e Solano de Almeida,
T/V: Martinho e S. Afonso


Tiradas daqui. Obrigada Jorge Leite

