O Voando em Moçambique é um pequeno tributo à História da Aviação em Moçambique. Grande parte dos seus arquivos desapareceram ou foram destruídos e o que deles resta, permanecem porventura silenciosos nas estantes de muitos dos seus protagonistas. A História é feita por todos aqueles que nela participaram. É a esses que aqui lançamos o nosso apelo, para que nos deixem o seu contributo real, pois de certo possuirão um espólio importante, para que a História dessa Aviação se não perca nos tempos e com ela todos os seus “heróis”. As gerações futuras de certo lhes agradecerão. Muitos desses verdadeiros heróis, ilustres aventureiros desconhecidos, souberam desafiar os perigos de toda a ordem, transportando pessoas e bens de primeira necessidade ou evacuando doentes, em condições meteorológicas adversas, quais “gloriosos malucos das máquinas voadoras”. Há que incentivar todos aqueles que ainda possuam dados e documentos que possam contribuir para que essa História se faça e se não extinga com eles, que os publiquem, ou que os cedam a organizações que para isso estejam vocacionadas. A nossa gratidão a todos aqueles que ao longo dos tempos se atreveram e tiveram a coragem de escrever as suas “estórias” e memórias sobre a sua aviação. Só assim a História da Aviação em Moçambique se fará verdadeiramente, pois nenhum trabalho deste género é suficientemente exaustivo e completo. A todos esses ilustres personagens do nosso passado recente que contra tudo e todos lutaram para que essa história se fizesse, a nossa humilde e sincera homenagem.

A eles dedicamos estas linhas.

José Vilhena e Maria Luísa Hingá

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Quem tiver fotos e/ou documentos sobre a Aviação em Moçambique e os queira ver publicados neste blogue, pode contactar-me pelo e-mail:lhinga@gmail.com

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Por motivo alheio algumas das imagens não abrem no tamanho original. Nesse caso podem selecionar “abrir imagem num novo separador” ou “Guardar imagem como…”.

20/11/06

142-DANIEL RABECK - Da Látvia a Lourenço Marques


O segundo piloto a ser contratado pela DETA, efectuou o segundo voo em “Dragon Rapide” de Lourenço Marques a Germinston uma semana após o serviço ter sido inaugurado pelo Cte. Manuel Maria Rocha, era um jovem nascido em Látvia, pequeno país do Báltico, que aprendera a pilotar sete anos antes no Joanesburgo Light Plane Club. De seu nome Daniel Rabeck, ficaria para sempre ligado à história da aviação comercial em Moçambique.

Deixou de voar em 1960 com 11.800 horas de voo, após 23 anos ao serviço da Stewarts & Lloyds Sul Africana.

Passou 15 meses como piloto de Dragon Rapide e Drangonfly na DETA, e averbou mais horas de voo por mês do que em qualquer outra altura da sua carreira de piloto, incluindo como piloto de transporte da Força Aérea da África do Sul.

O jovem Dan Rabeck, como ficou conhecido, emigrou da Látvia para a África do Sul em 1930 e iniciou as aulas de pilotagem nesse mesmo ano, com a idade de 17 anos, sendo seu instrutor Stan Halse. Após ter obtido a licença de piloto comercial, juntou-se a Harry Shires e participou na construção do aeródromo de Grand Central em Halfway House, entre Joanesburgo e Pretória.

Foi instrutor no Aero Clube de Lusaka e voou para a Christowitz Air Services na Niassalândia. Quando voltou à Africa do Sul, efectuou voos de táxi aéreo utilizando para o efeito um Gipsy Moth e um Puss Moth, tendo Rod Douglas, então chefe da DeHavilland Sul Africana, solicitado os seus serviços para entregar em Lourenço Marques um dos Dragon Rapide entretanto adquiridos pela DETA. Convidado, aceitou ser piloto da nova empresa em fase de formação.

Foi assim o segundo piloto da empresa Moçambicana, tendo sido homenageado num jantar de gala em Lourenço Marques decorria o ano de 1960.

Artigo e fotos de José Vilhena

17/11/06

141-Um acidente com o Piper PA-31 Navajo CR-ALT do GPZ

Matrícula: CR-ALT, Tipo: Piper PA-31 Navajo, c/n 31-476, Ex:N6561L, Registado em 1970 e destruido em 1973 perto de Chinde.
Informação do Cte. Vilhena.

O piloto era o Oliveira Marques. O chefe dos Serviços de Aviação do Gabinete do Plano do Zambeze, o Joaquim Prazeres, embora a ocupar o lugar do co-piloto, ia em passeio.
Tinham acabado de descolar do Chinde, para a Beira, onde os passageiros iam passar umas curtas férias. Com o máximo de carga, oito pessoas a bordo e a respectiva bagagem, não era nada que não fosse habitual no Gabinete do Plano do Zambeze.
Quando o compressor do motor esquerdo deu a alma ao criador, a seguir á descolagem, ainda na linha de subida, manter o avião nivelado ficou fora de questão. De nada valiam os apelos da mulher do Prazeres para que o marido fizesse alguma coisa.
O pequeno bimotor entrou pelo mangal dentro a desbastar tudo pela frente. Deixou as asas para trás, afocinhou no lodo, no meio do desbastado e retorcido arvoredo.
A porta lateral - que quando aberta fazia de escada - estava escancarada, caída, do lado de fora do avião. Os passageiros saíram. Só faltava a passadeira vermelha. Era mais uma dádiva dos Céus: Ninguém se tinha magoado; nem uma beliscadura...

14/11/06

137 - Cancelado

136-A Inauguração da Sede e Hangar do Aero Clube de Moçambique (1959)
















A construção dum sólido e espaçoso hangar, próprio para a recolha das suas unidades de voo e anexos oficinais, era o velho sonho do Aero Clube de Moçambique que a poeira dos tempos nunca conseguiu desvanecer.
Esse velho sonho de outrora, sempre acalentado pelas suas direcções através de longos anos, materializou-se agora com a construção do hangar metálico e anexos oficinais, implantados no aeroporto de Lourenço Marques.
É de eloquente significado o dia 11 de Julho de 1959 para a vida do Aero Clube de Moçambique, o mais velho Aero Clube da Província, de tão nobres tradições, dia de jubilo e de regozijo indizível pela inauguração do seu hangar, cuja construção representa denodada energia e vontade inquebrantável de vencer das suas Direcções e da sua massa associativa, que, conjugando esforços, não deram guarida ao espectro de desanimo em frente dos múltiplos obstáculos que surgiam, caminhando sempre unidos ao longo da difícil estrada que firmemente se propuseram trilhar, em prol de um Aero Clube Maior e, implicitamente, das Asas de Moçambique e da Aviação Civil Portuguesa.
Pelo incentivo moral, facilidades concedidas e marcado espírito de colaboração desde o início da construção, o Aero Clube de Moçambique endereça, neste expressivo dia da sua vida, cordiais agradecimentos à Direcção do Serviço de Aeronáutica Civil de Moçambique.
O velho sonho agora realizado não se confina somente à construção ora inaugurada, tem continuidade que se traduz na edificação da sua sede, em moldes modernos, englobando campos de jogos e piscina.
A energia, fé inabalável e vontade construtiva que presidiram à construção do hangar, serão as mesmas que, sem desfalecimentos, nos apresentarão, num futuro próximo, numa sinfonia de cor e bom gosto, e, em prossecução do plano de obras já concebido, a majestosa sede do Aero Clube de Moçambique, conjunto que atestará mais uma vez a perene vontade criadora e sem par do povo Lusíada, que “Novos Mundos deu ao Mundo”, escrevendo paginas de ouro na sua incomparável e gloriosa historia.

Evocação

Ao darmos mais um passo na senda do progresso e desenvolvimento da Aviação Civil no Ultramar Português, não podemos deixar de volver os olhos para o passado, num preito de sincera e justa homenagem àqueles que, há mais de três dezenas de anos, foram as asas pioneiras de Moçambique!
Entretanto as maiores dificuldades, a técnica ainda incipiente da aviação desportiva e muitas vezes as criticas derrotistas daqueles que faziam das coisas do ar um sinonimo de loucura, foram eles, esses pioneiros, os fundadores de uma obra de que hoje, todos nós, nos podemos justamente orgulhar!
Para esses jovens de então, de vontade firme e entusiasmo indomável, vai a evocação saudosa e agradecida de todos os que hoje sulcam voando os céus de Moçambique!

FLORINDO RIBEIRO, TORRE DO VALLE, MANUEL ROCHA, JAMES CHILDS e Outros.

O Aero Clube de Moçambique vos agradece!

Galeria de Honra (1959)

Sócios Honorários:
Marechal Francisco Higino Craveiro Lopes
Capitão-de-mar-e-guerra Gabriel Maurício Teixeira
Major Francisco Pinto Teixeira

Sócios beneméritos:
Octávio de Carvalho
Stanley Walters

Sócios Fundadores:
Vivos: Sebastião de Vasconcelos Hermínio Tavares Duarte
Octávio de Carvalho Américo Galamba
Calos Calçada Bastos Faustino de Matos Viegas
Bartolomeu Baptista Picolo Júlio Belo
Norberto Gonçalves Armando Neves
Manuel Alves Cardiga José Antunes Martins
Manuel Alexandre Gago José Tavares Duarte
Joaquim Antunes da Costa Capitão António dos Santos Figueiredo
Miguel Costa Hugh Le May
James York Childs

Falecidos:
Comandante José R. Cabral Florindo Ribeiro
Armando Torre do Valle Miguel Fragoso
João da Silva Pereira Adelino Abrunhosa
Eugénio F. Fernandes João António de Carvalho
Abel Gouges Gilberto Teles
Capitão Luciano Granate José Santos Júnior
Domingos Barreto Ilídio Pedroso
Dr. José Janeiro Júlio Boaventura Real

Créditos: Texto e fotos Cte Vilhena.

135-DETA-CR-BAA (Moçambique)

Foto: Cte. José Vilhena

11/11/06

134-Voando para Quissengue.



Auster igual ao referido no artigo. Clicar aqui, para poder ver a página do Museu do Ar .

Excertos do artigo de Guilherme José de Melo, com o nome Os Espantosos Dançarinos do Quissengue, que podem ler na integra, aqui..




.... O avião que me transporta é um dos pequeníssimos mas rijos «Auster» confiados à Formação Aérea de Voluntários, e o tenente Tito Xavier quem o conduz. Noutro igual àquele em que sigo viaja o meu camarada de jornada, com o piloto Fernando José ao comando.
E, da série de aldeamentos, o do Olumbe o que fica mais junto ao litoral, mesmo na costa, acima de Mocímboa da Praia, e muito embora fosse ali que desejássemos descer primeiramente, isso torna-se-nos impossível, alagada a pista de aterragem pelas violentas chuvadas dos últimos dias.

.....Damos duas ou três voltas largas e quase rasantes por sobre o aldeamento, com a população em peso acorrendo das casas, precipitando-se num frenesi para a pista anexa, aberta a pá e a catana. Vejo homens correndo de arma na mão, dispondo-se a intervalos regulares a toda a volta da faixa de aterragem, enquanto outros, em grupos, se internam no mato próximo. E, minutos volvidos, sobe no mastro, lá em baixo, uma bandeira verde. A meu lado, o tenente Tito Xavier explica-me que aquele é o sinal de que tudo está O.K., preocupações tomadas, a defesa da pista feita, as milícias a postos e que podemos aterrar.
O aparelho corta a velocidade, faz-se à pista, baixa, toca o solo, rola, e quando se detém ...

Da esquerda para a direita na foto: Tenente Tito Xavier, jornalista Guilherme de Melo e Régulo de Nhica do Rovuma. Foto de Tito Xavier.

09/11/06

133-CR-AHL, dos Transportes Aéreos da Zambézia


Emblema da TAZ, oferta de Vitor Silva.
Matricula:CR-AHL Tipo de aeronave: C185a Proprietário: TAZ
Destruido a 29 Mar 1968.

Anexo esta informação dada pelo antigo piloto da OCAPA, Vitor Silva, que mais tarde foi um dos pilotos do Serviço da Aeronáutica Civil, de Moçambique e que já foi referido noutros artigos deste blog. Aproveito para lhe agradecer a paciência que tem tido comigo!!!.
"Se a memória não me engana, trata-se dum Cessna 185, creio que ao serviço da *Ocapa* e propriedade da TAZ – Quelimane.

O Mário Gouveia fez uma aterragem numa praia próxima de Mocímboa da Praia.

Acrescento que a data do acontecimento é anterior a Julho de 1968, pois saí de Porto Amélia por essa data.

O Mário Gouveia era um conhecido e experiente piloto da TAZ. A investigação do incidente, pois foi disso que se tratou, foi desenvolvida pela PIDE/DGS. O acontecimento, atendendo ao local onde ocorreu, onde não era conhecida qualquer actividade da guerrilha, levantou grandes dúvidas e preocupação. Daí a investigação ter sido conduzida por aquela policia, no que respeitava às causas do acidente.
Vítor Silva"
**Editado para acrescentar este esclarecimento, a pedido, da filha do dono da OCAPA:

"A OCAPA encerrou no final de 1968, como diz o Piloto Victor Silva, mas no que se refere ao Cessna 185, não esteve ao serviço da OCAPA.
Inez"
Fotos do avião encontradas em groups.msn.com/BarreirenseI
Informações sobre o acidente: Vitor Silva.
Informações sobre o avião: Cte José Vilhena

08/11/06

132-Dakota abatido em Nacatári em 1974

Tipo e Modelo:Dakota C-47A C/n: 19393 / 42-100930
Matrículas: FAP 6175 , ex: CS-TDA (TAP) e CR-AGD (DETA).
A História do Dakota contada por Francisco Loureiro.
Como prometido, envio a foto do referido avião.
O "cavalheiro" sou eu próprio, em meados de 1974. De salientar que estou com um pé dentro do orifício aberto pelo míssil na fuselagem, o que é revelador do impacto do projéctil.
Sobre a descrição dos factos tenho a dizer o seguinte:
- Naquele dia estava de Piquete, e uma das tarefas que nos era destinada consistia na protecção aos aviões que nos visitavam. Dessa vez, quando atravessei a pista e subia o ressalto feito aquando das terraplanagens, verifiquei que o avião que se preparava para aterrar era de dimensões anormais. Houve comentários de que talvez se destinasse ao nosso regresso (sonhadores!).
Da pista ao arame farpado, onde nos colocávamos, distariam cerca de 20 metros, e quando o mesmo passou pelo local tivemos todos de nos atirar ao chão para evitar sermos "limpos", porque a pista não tinha largura suficiente para tal envergadura. Ao verificar que a pista ia acabar, o piloto decidiu guinar bruscamente para a esquerda, e ao fazê-lo, bateu com a asa direita no chão, tendo esta servido de alavanca para levantar a aeronave e atirá-la para fora da pista do lado esquerdo. De lá saíram, espavoridos mas ilesos, cerca de 20 militares de alta patente dos três ramos das nossas forças armadas, e logo de seguida chegaram os helicópteros, nomeadamente o "Puma", para os recolher.
Deixo aqui a minha homenagem ao piloto que, só com um motor, conseguiu uma aterragem quase perfeita evitando perdas humanas.
Naturalmente que tivemos serviço extra de protecção ao novo "inquilino", até que a Força Aérea desmontasse o que entendeu, sendo as fotos tiradas quando a carcaça já estava recolhida no interior do quartel.
Foto e texto de Francisco Loureiro. O meu Obrigado.
Destruído a 6-5-74, em Nacatári (Moçambique), à aterragem, após ser atingido por míssil “strella”.
Esta informação foi dada pelo Cte. Vilhena, autêntica enciclopédia aeronáutica. Ontem encontrei esta foto num dos sites com fotos dos nossos soldados que estiveram no Norte de Moçambique, durante a Guerra Colonial.

Editado em Novembro 2007

06/11/06

131 - Cancelado


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03/11/06

129-Instalações do Aeroclube da Beira







São as duas exactamente do mesmo dia (Abril/Maio de 2005 já não sei precisar). Varia a luz e a fachada. A 1ª, mais branca, é a fachada do edificio que dá para a pista do aeroporto. A segunda (com as arvores pelo meio) é a fachada oposta, que dá para a estrada. Quem estiver a olhar para a mais amarela de frente, à sua direita, uma centena ou duas de metros tem o edificio do aeroporto.
Explicação do autor das fotos, António Vicente.

01/11/06

127-Aeroporto de Quelimane actualmente

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Fotos enviadas por Luís Bulha.

126-Fotos do velho aeródromo de Quelimane

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Avião da DETA, em Quelimane.

Fotos de Manuel Ferreira Lavrador, (MFL) e foram-me enviadas pelo Luís Bulha.
Obrigada aos dois!!!

125- Primeiros aviões de Moçambique

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Fotos de Cte. J. Vilhena

123 - Aeroclube da Zambézia

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CR-ADQ - Tipo Piper J-3C-65 Cub - Nº.série 15735 - Registado em 1952


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Fotos de Manuel Ferreira Lavrador, (MFL) e foram enviadas pelo Luís Bulha.
Obrigada aos dois!!!

121 - Cancelada

Cancelada

120 - Cte Flávio Carvalho


Flávio Alves de Carvalho
Nasceu a 14 de Junho de 1912 em Chaves, voou pela primeira vez como passageiro num velho Farman em Portugal, decidindo desde logo que queria ser piloto. Chegado a Lourenço Marques em 1940, tornou-se sócio do Aero Clube de Moçambique, inscrevendo-se na sua escola de pilotagem onde iniciou a sua instrução a 12 de Novembro, no Tiger Moth “CR-AAR”, sendo largado após 8 horas de voo. Conseguiu a sua licença de piloto de transporte público em 1942, precisamente no ano em que entrou para a DETA, sendo o seu primeiro voo comercial realizado no velho Hornet Moth “CR-AAA”, transportando um só passageiro. Nesta empresa voou praticamente todos os seus aviões, desde o velho Hornet Moth, passando pelo Dragonfly, Dragon Rapide, Junkers JU-52, Dove, Dakota, Electra, Lodestar e Friendship.
A 13 de Novembro de 1954 atingiu a marca das 10.000 horas de voo num vo realizado no Dakota “CR-ABQ” proveniente de Salisbury, tendo sido o primeiro Piloto Português a ultrapassar as 20.000 horas, quando aterrou com o Friendship CR-AIA em Lourenço Marques proveniente de Joanesburgo a 5 de Junho de 1964.
Reformou-se em 1974, tendo efectuado o seu último voo num Friendship “CR-AIA” a 11 de Dezembro, com um total de 28.453 horas de voo.
Faleceu em Lisboa a 26 de Janeiro de 2001, com 89 anos de idade.
Obrigada Célia Carvalho pela ajuda.


Recortes de Cte. J. Vilhena
Recorte do jornal Noticias de LM, de 6.6.1964 referindo a Homenagem dos colegas pelas 20 000 horas de voo
 Espólio Rui Monteiro

119- Emblemas ligados à aviação moçambicana

Clicar na foto para aumentar a imagem!!!

Alguns dos emblemas que representam Companhias ligadas à aviação civil, em Moçambique.

O meu agradecimento a Zé Vilhena, João M. Vidal, Mesquitela, São Camposinhos e Jaime Gabão, entre outros.

30/10/06

118- CR-AAA e CR-AAC da DETA

Artigo copiado da Revista Wings over Africa

Obrigada Cte. Vilhena

117- Simulacro do combate aéreo

..........Os aviões levantavam cada um para seu lado, ganhavam altura e, quando estavam a dois mil metros de altitude e se encontravam, começava a dança. Primeiro um contra o outro, de frente para ver se a metralhadora abatia o adversário. Passávamos rés - vés, quase a tocar. Imediatamente, um descrevia um "looping", tentando surpreender o outro picanço. O outro numa curva muito apertada, via o perigo e deixava-se entrar em parafuso para se safar. O que saía primeiro dessa figura, começava a fugir para subir ou para tentar apanhar o outro, fosse ele para onde fosse. Se o "inimigo" subia também a querer persegui-lo, então, sim, o que ia mais alto ia diminuindo a potência e quando estavam novamente a dois mil metros, travava-se o combate a sério. "Looping", "Tonneaux", voltas de "Immelman", viranços e reviranços, enfim, uma série de doidices com os aviões muito juntos que faziam arrepiar quem lá de baixo assistia aos treinos. Aquilo acabava sempre com uma entrada em parafuso lá das alturas, que ia quase até ao chão, fingindo-se atingido. O outro vinha em voo picado para ver o resultado, terminando os dois com uma série de "looping" a rasar a pista. Era um espectáculo.

Cmte. M. Faria Peixoto

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Mas que espectáculo,...

Maravilhoso! Linda esta descrição.

É tão real e pormenorizada que parece estamos a assistir a toda esta "cena" neste momento..... O tempo pára!
São Camposinhos

116-Controladoras de tráfego aéreo

A Mª. de Fátima F. Almeida não chegou a tirar o brevet. Trabalhou nos aeroportos de LM, Beira e Vila Cabral, em Moçambique.


115-O Governador-geral Eng. Arantes e Oliveira visita a Manutenção da DETA

O Governador-geral Eng. Arantes e Oliveira e o Secretário Provincial dos Transportes e Comunicações Eng. Vilar Queiroz visitando a Manutenção da DETA.

O Dakota CR-AGD “Gorongoza” em pano de fundo!!!!

114- Para conhecimento de todos os que queiram contribuir com elementos para o blog Voando em Moçambique

Quando criei este blog, foi com a finalidade de relembrar todos aqueles que contribuíram para a “História da Aviação em Moçambique”.
Não é politica nem objectivo deste espaço atentar contra o bom-nome de quem quer que seja, independentemente das razões que eventualmente possam existir, limitando-se a apresentar e divulgar factos, que possam consubstanciar valores e noticias, que relatem objectivamente as “Histórias de quem Voou em Moçambique” e tudo mais relacionado com a “Aviação” nesse país.

MLH

29/10/06

113-“Deixei o meu Coração em África”, Manuel Arouca

Do livro de Manuel Arouca “Deixei o meu Coração em África” publicado recentemente pela Oficina do Livro (2005), um pequeno excerto que relata, com pequenas imprecisões, factos verídicos relacionados com o “Aero Clube de Moçambique”.

Manuel Arouca, nasceu em Porto Amélia a 3 de Janeiro de 1955.

Os dois.... rumaram de seguida para o Aero Clube de Moçambique (1). Era uma outra faceta do pai, - apaixonado dos aviões e sócio do Aero Clube - que Guida queria dar a conhecer a Ricardo: Gente que vivia uma realidade completamente distinta do jet set do Grémio. Nas suas patuscadas e aventuras, além do ya, chamavam aos brancos whites.

O Aero Clube encontrava-se inserido no Aeroporto Internacional. No seu cantinho, como os pilotos dos teco-tecos diziam no gozo, erguia-se um hangar com cobertura de zinco, onde, no seu interior e exterior, se espalhava um numero significativo de avionetas Piper Tripacer, Piper Comanche, Super Cubs, Austers, Cessnas, Tigers, um bimotor Twin Comanche, Chipmunks, decisivos na instrução e formação de pilotos. Os primeiros pilotos da DETA foram ali formados. A filha do Engenheiro Rui Ramos (2) mostrou com vaidade o primeiro avião do Aero Clube, um Hornet Moth com matricula CR-AAA (3). Uma ave rara. Explicou-lhe, andando em direcção ao avião do pai, que aquele Aero Clube fazia muito mais horas de voo do que todos os Aero Clubes da metrópole juntos. Fê-lo entrar num Cessna 206 pintado com cores vivas, que tinha lugar para o piloto e cinco passageiros. Aí tirou de uma pasta de couro com fivela um álbum de fotografias e recortes de jornais, onde o seu pai participava em festivais aéreos no aeródromo da cidade de Durban. Tinha como inseparável companheiro destas acrobacias loucas e vistosas o comerciante e infatigável impulsionador das actividades do Aero Clube, Rui Monteiro. Eram conhecidos pelos Ruis, os RR. E, na fotografia que se seguiu, via-se o Chipmunk do Rui Monteiro voando rente ao solo, em corrida acesa com o Cooper S de Xavier de Melo, no autódromo do Xilunguine. (4)

-Isto é único! - exclamou o meu amigo.

Mas as proezas daquele vasto número de pilotos não se ficavam por ali. Dizia Guida, subindo o entusiástico tom de voz:

- Nos Auster eles fazem a distribuição do correio. Nas cheias há populações que chegam a ficar seis meses isoladas do mundo. (5)

O que Ricardo não fazia a mínima ideia era que o voo curava a tosse convulsa (6). Tinha nas mãos umas fotografias com crianças ladeadas pelas mães, o Rui Monteiro (7) e o Rui Ramos.

- Metia dó ver aquelas crianças a tossirem cavernosamente. A todo o momento, pareciam que iam ficar sem ar.

- Não havia remédios? – interrompia o perplexo Comando.

- Ainda há bem pouco tempo, pouco ou nada faziam. Então as crianças iam nos aviões com as mães, porque muitas vezes vomitavam quando chegavam lá a cima. Também adormeciam. A primeira vez o meu pai, coitado, pensou que o miúdo tinha morrido. Depois habituaram-se. Faziam três voos, sempre a subir e a descer lentamente. O primeiro a 1.000 metros, o segundo a 2.000 metros e o ultimo a 3.000 metros. Geralmente, ao segundo, já estavam curados. Não falhava.

(1) O autor chama-lhe Aero Clube de Lourenço Marques.

(2) Eng. Rui Ramos – ficção ou realidade? Alguém que elucide se existiu de facto o Eng. Rui Ramos!

(3) Refere-se o autor certamente ao Hornet Moth CR-AAC, terceiro avião da DETA e oferecido ao Aero Clube em Junho de 1967. Não foi de facto o primeiro avião do Aero Clube de Moçambique. (ver artigo 49). O CR-AAA foi o primeiro avião da DETA e sempre pertenceu à mesma. (ver artigo 26).

(4) Refere-se ao descrito no artigo 50.

(5) Esta era uma das missões das FAV - Formações Aéreas Voluntárias (artigo 54).

(6) Voos de tosse convulsa, muito em moda nos tempos idos em Moçambique!

(7) Rui Novais Leite Monteiro – ver artigos 49, 54 e 60.

José Vilhena

112 - Gabinete de Planeamento do Zambeze-GPZ


Clicar para ver os artigos 138  433 439 e 788

Artigo de João M. Vidal,
a quem agradeço a colaboração.

Resumo Histórico:
O departamento do Ministério do Ultramar inicialmente designado “MHZ - Missão Hidrográfica do Zambeze”, após a decisão da construção da barragem de Cabora-Bassa (hoje em dia designada “Cahora-Bassa”) passou a ser designado “GPZ – Gabinete do Plano do Zambeze” e subdividido em duas repartições:
- Os “SREP – Serviços Regionais de Estudo e Planeamento” baseado em Tete.
- Os “SRFOCB – Serviços Regionais de Fiscalização da Obra de Cabora-Bassa” baseados no Songo.
O Departamento de Aviação estava baseado no aeródromo civil de Tete e dependia dos SREP.
Organizado nos moldes de uma Esquadra Operacional da FAP, de onde todos os pilotos eram oriundos, operava em moldes paramilitares (como uma versão Portuguesa da AirAmerica do Sudoeste Asiático)
FrotaAviões:
CR-AFU Piper PA-22-160 Tripacer c/n: 22-5703 Serviço: 1958/1975
CR-AFV Piper PA-23-160 Apache c/n: 23-1330 Serviço: 1958/1974
CR-AKT Piper PA-23-250 Aztec D c/n: 27-4026 Serviço: 1968/1974
CR-ALT Piper PA-31-310 Navajo c/n: 31-476 Serviço: 1970/1973
CR-ANV Dornier Do.28D-1 Skyservant c/n: 4024 Serviço: 1972/1973
CR-AOU Rockwell 500S Shrike Commander c/n: 3120 Serviço: 1973/1975
CR-AOV Britten-Norman BN-2A-3 Islander c/n: 624 Serviço: 1973/1975
CR-AOX Do.28D-1 Skyservant c/n: 4027 Serviço: 1973/1975
Helicópteros:
CR-AGE Agusta-Bell 47G c/n: 245 Serviço: 1958/
CR-AGF Agusta-Bell 47J Ranger c/n: 1032 Serviço: 1958/1971
CR-AHA Agusta-Bell 47J-2 Ranger c/n: 1804 Serviço: 1961/
CR-AHK Bell 47G-3 c/n: 2635 Serviço: 1961/
CR-ALV Bell 206A Jet Ranger c/n: 591 Serviço: 1970/
CR-ALX Bell 206A Jet Ranger c/n: 585 Serviço: 1970/
CR-ALZ Bell 206A Jet Ranger c/n: 592 Serviço: 1970/
CR-AMA Bell 47G-4A c/n: 7733 Serviço: 1970/1974
CR-AMB Bell 47G-4A c/n: 7735 Serviço: 1970/1974
CR-ANT Bell 206B Jet Ranger c/n: ? Serviço: 1972/
CR-AOE Bell 206B Jet Ranger c/n: ? Serviço: 1972/
CR-HAK Bell 206B Jet Ranger c/n: 1098 Serviço: 1972/
CR-HAL Bell 206B Jet Ranger c/n: 1099 Serviço: 1972/
CR-HAM Bell 206B Jet Ranger c/n: 2001 Serviço: 1972/

Curiosidades:
1) Devido à antiga designação "Missão Hidrográfica do Zambeze" continuámos sempre a ser conhecidos no Distrito de Tete como os "aviões e pilotos da Missão" o que certamente nos livrou de maior hostilidade já que os verdadeiros Missionários eram conhecidamente simpatisantes da FRELIMO. Isto apesar das nossas missões serem muito pouco "católicas" (transporte de armamento, colocação de tropas etc.), ainda menos "ortodoxas" (reconhecimentos visuais à procura de bases inimigas) e os pilotos serem muito pouco apostólicos" (cooperação com a Força Aérea Rodesiana)
2) Apesar do que está escrito acima, três pilotos faleceram ao serem abatidos: Abílio Silvestre, Pedro Monteiro e Santos (o famoso "Xantos")
3) Era condição necessária para se ser admitido como piloto do GPZ ter-se já cumprido uma comissão de serviço como piloto militar. Para que os salários fossem competitivos com os praticados na aviação civil, ingressava-se com o equivalente a uma graduação em capitão, podendo atingir-se o nível de pagamento de tenente-coronel (piloto chefe). Isto gerou diversos conflitos pois alguns pilotos milicianos do AB.7, quando escalados para missões mais “cabeludas”, passaram sistematicamente a dizer: “mandem os tipos do GPZ que ganham bem!” principalmente quando começaram a aparecer os “Strella” na região.
4) Devido à sua confidencialidade, a actividade do Departamento de Aviação do GPZ é certamente uma das menos conhecidas de toda a aviação Portuguesa. Talvez esteja na hora de começar a divulgar!
Durante os anos 60 até 1973 foi nosso Piloto-Chefe o Comandante Prazeres, uma pessoa agradabilíssima com um infinito senso de humor. Descrevê-lo não seria fácil e por si só valeria um livro.
Em 1973 foi promovido a Inspector, continuando sempre a voar mas sendo substituído na função de Piloto-Chefe por outro GRANDE homem: O Comandante António Silgado Dias Teixeira.
Só tenho as melhores recordações de ambos.

Se não me falha a [velha e fraca] memória, os pilotos do GPZ foram:

- Joaquim Prazeres (Fundou uma companhia de helicópteros em Portugal)
- António Silgado Teixeira (Seguiu para a AeroCondor)
- António Cunha (Seguiu para os Serviços Geográficos Cadastrais - Lourenço Marques)
- Vasco Lança (Seguiu para a TAP)
- Vítor (Quadro FAP em comissão civil. Regressou à FAP)
- Brandão
- Santa Cruz (Seguiu para a DETA)
- António "Tózé" Oliveira Marques (Seguiu para a DETA)
- Rui Salvado da Cunha
- Abílio Silvestre (Faleceu abatido em voo)
- João M. Vidal (Seguiu para a TAAG)
- João Fidalgo (Seguiu para a Emtepua)
- José Jorge "Pilotinho" Araújo
- Pedro Gaivão (Seguiu para a TAP)
- Câmara Leme Faria
- Martinho Martins (Seguiu para o DGAC/INAC)
- Pedro Monteiro (Faleceu abatido em voo)
- Santos "Xantos" (Faleceu abatido em voo)
- Licínio Canavarro Reis

Felizmente são quase todos ainda vivos e poderão lembrar-se de mais alguém de quem eu me possa ter esquecido.

28/10/06

111-Aeroclube de Cabo Delgado

Foto actual do "aluno-piloto", da foto anterior. Tirada algures em Portugal.

Pemba, antes Porto Amélia

Anexo fotos retiradas da página de Pemba**, por cortesia de Jaime Luís Gabão, que deixou este comentário:
gotaelbr said... "Chamava-se AERO CLUBE DE CABO DELGADO e por lá passaram não só os das fotos como o falecido Pachancho (Carlos Fernando Machado da Cruz), abatido pelos "turras" quando fazia uma evacuação de militares feridos em Mueda, Figueiredo, Irmãos Quental, Azevedo, Fernando Gil (Macua de Moçambique), António Spanas da Cunha e outros."

**Links das páginas donde foram retiradas as fotos:
ForEver PEMBA - http://foreverpemba.blogspot.com/
Pemba na net - http://geocities.yahoo.com.br/gotaelbr