O Voando em Moçambique é um pequeno tributo à História da Aviação em Moçambique. Grande parte dos seus arquivos desapareceram ou foram destruídos e o que deles resta, permanecem porventura silenciosos nas estantes de muitos dos seus protagonistas. A História é feita por todos aqueles que nela participaram. É a esses que aqui lançamos o nosso apelo, para que nos deixem o seu contributo real, pois de certo possuirão um espólio importante, para que a História dessa Aviação se não perca nos tempos e com ela todos os seus “heróis”. As gerações futuras de certo lhes agradecerão. Muitos desses verdadeiros heróis, ilustres aventureiros desconhecidos, souberam desafiar os perigos de toda a ordem, transportando pessoas e bens de primeira necessidade ou evacuando doentes, em condições meteorológicas adversas, quais “gloriosos malucos das máquinas voadoras”. Há que incentivar todos aqueles que ainda possuam dados e documentos que possam contribuir para que essa História se faça e se não extinga com eles, que os publiquem, ou que os cedam a organizações que para isso estejam vocacionadas. A nossa gratidão a todos aqueles que ao longo dos tempos se atreveram e tiveram a coragem de escrever as suas “estórias” e memórias sobre a sua aviação. Só assim a História da Aviação em Moçambique se fará verdadeiramente, pois nenhum trabalho deste género é suficientemente exaustivo e completo. A todos esses ilustres personagens do nosso passado recente que contra tudo e todos lutaram para que essa história se fizesse, a nossa humilde e sincera homenagem.

A eles dedicamos estas linhas.

José Vilhena e Maria Luísa Hingá

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Quem tiver fotos e/ou documentos sobre a Aviação em Moçambique e os queira ver publicados neste blogue, pode contactar-me pelo e-mail:lhinga@gmail.com

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16/10/06

78 - Comandante Manuel da Rocha (1902-1986)

Nasceu na cidade da Beira em Moçambique a 8 de Outubro 1902, o Comandante Manuel Maria Rocha iniciou a sua formação aeronáutica em 1928.

Em 1931 reconstrói do seu primeiro avião (um DH Cirrus Moth) e obtém o certificado de piloto de aviões (da FAI).

Em 1932 cria a escola de pilotagem da Aero Colonial, responsável pelo brevetamento de dezenas de pilotos dos céus de África.

Em 1933 funda e dirige em Lourenço Marques a Aero Colonial Limitada, primeira empresa de transportes aéreos em Moçambique.

Voaria com esta companhia de 1933 a 1936.

Em 1936 tomou parte na organização e criação em Moçambique da DETA (Divisão de Exploração de Transportes Aéreos) sendo admitido como primeiro piloto aviador desta companhia, inaugurando a primeira carreira aérea regular em finais de 1937 (Lourenço Marques - Joanesburgo).

Em Abril de 1938 seguiu para Inglaterra onde obteve a especialização e qualificação na Air Service Training (Air University) que o habilitaram a pilotar aeronaves em linhas aéreas internacionais e foi promovido piloto chefe D.E.T.A.

Em 1944 abandona a DETA ingressando na companhia de aviação belga SABENA (no ex. Congo Belga).

Em 1946 deixa a companhia belga e ingressa da TAP, sendo um dos principais responsáveis pelo estabelecimento da Linha Aérea Imperial, inaugurando a primeira ligação aérea regular Lisboa – Luanda - Lourenço Marques.

Em 1948, nos Açores, desempenhou as funções de Director de Operações de Voo da SATA (Sociedade Açoreana de Transportes Aéreos), reorganizando as linhas aéreas do Arquipélago. Manteve estas funções até 1953.

Regressaria a África nesse ano, dirigindo e reestruturando o Clube Aeronáutico do Niassa, regressando à metrópole em 1961, por motivos pessoais.

Em 1963 assumiria funções no Aeroporto de Lisboa onde se manteve até 1976.

Morreu em Lisboa a 12 de Abril de 1986.



Fardado com o uniforme dos TAP

Junto ao Lockheed Electra "Limpopo"

No Chai-Chai a bordo do seu Gipsy Moth reconstruído
CR-MAC






























Com Francisco Pinto Teixeira

Com Alfredo Santos Gil

Junto ao CR-AAA

Num Junkers Ju.52 da DETA









1º Voo da Linha Aérea Imperial dos TAP
Ao serviço da Sabena

O Comandante Manuel Maria Rocha com o Tenente-Coronel Humberto Delgado, junto a um Dove da SATA, quando da sua passagem por esta empresa Açoreana.
Num jantar de homenagem no Aero Clube de Gaza (Chai-Chai) durante um festival aéreo em 1960.
À esquerda o Eng.º Jorge Jardim

15/10/06

76-DC-3 no aerodromo de Mocimboa da Praia, em 1965

75-Aeródromos moçambicanos 2

Clicar nas imagens para visualizar o tamanho original.
Mais fotos de aeródromos moçambicanos nos artigos 20 e 21.














74-Alguns dos aviões do Aeroclube de Moçambique 1


CR-AAG


CR-AEI


CR-AEK













CR-AES

Fotos do Cmte José Vilhena

73-Alguns dos aviões do Aeroclube de Moçambique


CR-AFM


CR-AKH


Fotos do Cmte José Vilhena

72- Beira nova escala da TAP 1961


Encontrado na Net.

71 - C- PMAA Primeiro Avião registado em Moçambique como CR-MAA. De Havilland 60G Gipsy Moth


C-PMAA
Photobucket - Video and Image Hosting
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O primeiro avião registado em Moçambique, ostentou a matricula Portuguesa C-PMAA e só mais tarde a Moçambicana CR-MAA (M de Moçambique), um DeHavilland 60G Gipsy Moth.

Este avião, com registo Sul-africano, voou para Moçambique pelas mãos do célebre Major Mac Miller em 1930, com mais dois irmão gémeos, com a finalidade de efectuar voos de demonstração.

Num desses voos junto ao porto de Lourenço Marques, entrou em perda a baixa altitude acabando nas águas da baia, junto a um paquete que saia do porto.

Foi recuperado pela tripulação do navio, bem como o que restou do avião, que felizmente ficou a flutuar, embora maltratado e cheio de água salgada. O que restou do avião e o seu motor permaneceram ao ar livre no porto de Lourenço Marques, durante quase um ano, pois mercadoria importada sem pagamento de direitos tinha de cumprir a legislação vigente, até ser vendido em hasta pública!

No leilão então realizado, foi finalmente o avião e o motor arrematados por Manuel Maria Rocha, que na altura era mecânico chefe da estação eléctrica no Xai Xai (Vila João Belo). Carregado para um camião e transportado para o Xai Xai, onde Manuel Maria Rocha o reconstruiu durante 18 longos meses, uma missão quase impossível, já que o domínio da língua de Sua Majestade por parte do seu dono e os conhecimentos aeronáuticos do mesmo eram na altura mínimos. Passou a ser o primeiro avião registado na Colónia e foi nele que aprendeu a pilotar e posteriormente atingiu a craveira que todos conhecem, como primeiro piloto da DETA e posteriormente da TAP. Foi assim que o Xai Xai se tornou o berço da aviação civil em Moçambique.



José Vilhena

70-Foto tirada no Aeroclube da Beira


Fotografia tirada no Aero Clube da Beira, no ano de 1937.
Foi-me oferecida aqui pela LauraLara, beirense de quatro costados.