O Voando em Moçambique é um pequeno tributo à História da Aviação em Moçambique. Grande parte dos seus arquivos desapareceram ou foram destruídos e o que deles resta, permanecem porventura silenciosos nas estantes de muitos dos seus protagonistas. A História é feita por todos aqueles que nela participaram. É a esses que aqui lançamos o nosso apelo, para que nos deixem o seu contributo real, pois de certo possuirão um espólio importante, para que a História dessa Aviação se não perca nos tempos e com ela todos os seus “heróis”. As gerações futuras de certo lhes agradecerão. Muitos desses verdadeiros heróis, ilustres aventureiros desconhecidos, souberam desafiar os perigos de toda a ordem, transportando pessoas e bens de primeira necessidade ou evacuando doentes, em condições meteorológicas adversas, quais “gloriosos malucos das máquinas voadoras”. Há que incentivar todos aqueles que ainda possuam dados e documentos que possam contribuir para que essa História se faça e se não extinga com eles, que os publiquem, ou que os cedam a organizações que para isso estejam vocacionadas. A nossa gratidão a todos aqueles que ao longo dos tempos se atreveram e tiveram a coragem de escrever as suas “estórias” e memórias sobre a sua aviação. Só assim a História da Aviação em Moçambique se fará verdadeiramente, pois nenhum trabalho deste género é suficientemente exaustivo e completo. A todos esses ilustres personagens do nosso passado recente que contra tudo e todos lutaram para que essa história se fizesse, a nossa humilde e sincera homenagem.

A eles dedicamos estas linhas.

José Vilhena e Maria Luísa Hingá

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Quem tiver fotos e/ou documentos sobre a Aviação em Moçambique e os queira ver publicados neste blogue, pode contactar-me pelo e-mail:lhinga@gmail.com

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Por motivo alheio algumas das imagens não abrem no tamanho original. Nesse caso podem selecionar “abrir imagem num novo separador” ou “Guardar imagem como…”.

14/11/06

137 - Aeroclube de Inhambane



A 27 de Junho de 1948 foi fundado o Aero Clube de Inhambane, muito embora os primeiros Estatutos tivessem tido a sua publicação no Boletim Oficial de Moçambique a 28 de Maio de 1949.
Foi a comissão organizadora constituída por Carlos Calçada Bastos, Manuel Nunes e Vasco Abrantes d'Oliveira.
Cinquenta e cinco individualidades e firmas inscreveram-se como sócios fundadores e contribuíram para a compra do primeiro avião:
A. Cruz Lda.
Abílio Rodrigues Fidalgo
Agostinho Santos Nunes
Alimohamed Sacoor Lda.
Álvaro Galiza de Matos
António Neves Alcobia
António Pereira da Silva
António Ribeiro de Almeida
António Tudella
Araquechande Emichande
Araquechande Jethá (Herdeiros) Lda.
Armando Rolão Soares
Beatriz Santos Nunes
Belmiro Morgado dos Santos
Carlos Calçada Bastos
Damião de Melo Lda.
Damodar Mangaljy & C.ª
Dr. António José Leitão Pinto
Dr. Eurico de Almeida
Dr. José Santa Rita
Dr. Manuel Rodrigues
Empresa de Transportes Majohane Lda.
Empresa Moderna (Inhambane) Lda.
Eng. Agrónomo Eugénio Paulo
Eng. José Lopes Duarte
Fernando Morgado dos Santos
Fernando Rodrigues Barbosa Júnior
Fernando Santos Silva
Francisco Macedo da Silva
Francisco Martins Rodrigues
Henrique Santos Costa
Idrissa Givá Hemraje
Irachand Canji & Irmão
José de Barros Rafael
José Martins Bouçanova
Júlio César Leitão
Licínio Medina dos Santos
Limba Kahane & Filhos Lda.
Lourenço Michael de Melo
Luís Leite Faria
Manuel da Rocha
Manuel da Silva Gonçalves
Manuel Eduardo de Azevedo Simões
Manuel Nunes
Maria Águeda Santos Nunes
Maria Luísa Santos Nunes
Nuno Tristão de Vasconcelos e Silva
Romeu dos Santos
Sociedade Industrial e Agrícola da Mutamba
Suleman Cassam (Herdeiros)
Tadeu de Almeida
Vasco Abrantes d' Oliveira
Victor Nunes
W.N.L.A.
Reunido o dinheiro necessário, com a ajuda do então Governador de Distrito, Inspector Octávio Ferreira Gonçalves, que mais tarde veio a ser brevetado pela Escola de Pilotagem do Aero Clube de Inhambane, foi adquirido na África do Sul o primeiro avião, um Piper Vagabond , inscrito na Aeronáutica Civil com a matricula CR-ACU.
Foi neste avião baptizado com o nome de “Filipito”, diminutivo do nome do filho do Governador Octávio Gonçalves.
Iniciou-se assim com este avião a primeira Escola de Pilotagem, que terminou com a aprovação de todos os alunos inscritos.
Cerca de um ano mais tarde, foi adquirido um outro avião, um “Piper Cub Special” com a matricula CR-ADO, a que se seguiu a compra de um Cessna , por intermédio do sócio fundador e grande benemérito do Aeroclube de Inhambane, Senhor Manuel Nunes, que prescindiu da sua comissão de agente da “Cessna 170B” com a matricula CR-ADU.
O primeiro Presidente do Aero Clube de Inhambane foi o Eng. Lopes Duarte, seguindo-se em Janeiro de 1950 Humberto Albino das Neves.
Foi na Direcção de Humberto das Neves, que o Aeroclube teve maior incremento, devido ao seu dinamismo e acabando-se a construção da sede, composta de um amplo hangar com dois torreões, num dos quais, foi no rés do chão instalado um bar.
A partir daqui os passageiros dos aviões de carreira passaram a utilizar, com mais conforto, as instalações do Aeroclube, tendo a DETA, nas mesmas. O seu escritório.
Durante os vinte e cinco anos de existência, a labuta pelo engrandecimento do Aero Clube de Inhambane e da cidade sido a preocupação constante de todas as Dircções, podendo assim Inhambane orgulhar-se de possuir uma Aerogare que, embora modesta, veio preencher uma lacuna que se fazia sentir no tráfego aéreo.
Se é certo que a caminhada tem sido por vezes árdua, é também certo que nunca nos faltou o apoio moral e material das entidades oficiais, sendo justo destacar o Governo do Distrito, através de todos os Governadores que têm passado por Inhambane, salientando-se o governador Octávio Gonçalves e ao actual Governador José Diniz Salvador Paralta.
Lisonjeiro é, para o Aero Clube de Inhambane, registar, nesta evocação, a não existência até esta data, de qualquer acidente com as suas aeronaves.
Ao longo do caminho trilhado, os serviços prestados pelo Aeroclube estão bem patentes e são, de sobra, conhecidos por entidades oficiais e particulares. Os seus aviões ambulância tem transportado dezenas de feridos e doentes, em evacuações rápidas e seguras.
Daqui para o futuro, novos horizontes se abrem para o Aero Clube de Inhambane, parar é morrer, estamos certos, as Direcções vindouras saberão aproveitar, para bem da colectividade e da Terra da Boa Gente, como é conhecida Inhambane.
Frota do Aero Clube de Inhambane:
Texto e fotos de José Vilhena

2 comentários:

Anónimo disse...

Bom dia,

Sou uma das fílhas do Eng. José Lopes Duarte. Venho pedir autorização para fazer uma cópia do texto / artigo sobre o meu Pai, o Engº. José Lopes Duarte e o Aeroporto de Inhambane.

Contacto: xanda.teles@gmail.com

Bem haja.

Cumprimentos,

Olga Mª. Alexandra de Magalhães Lopes Duarte de Sousa Teles

Luisa Hingá disse...

Enviada mail a resposta.
Luísa Hingá