Em 1936, Moçambique estava experimentando as inovações da aviação e já começavam as travessias que facilitavam e optimizavam as viagens, agora já no sentido prático e dos negócios.
Estava provada a necessidade de se dotar a província de transportes aéreos adequados. O progresso também neste sentido entrou em Moçambique pelo pulso firme e entusiasmo do Engenheiro Francisco dos Santos Pinto Teixeira, que criou a "Divisão de Exploração dos Transportes Aéreas de Moçambique", a DETA, uma divisão dos Caminhos de Ferro de Moçambique
O Diploma Legislativo que o cria tem o Nº. 521 e a data de 26 de Agosto de 1936.
Assina o importante Diploma que dá início a uma das mais antigas actividades da aviação comercial em todo território Português, o Governador-Geral Coronel José Cabral.
Em princípios de 1937 começam voos de treino e de preparação de pessoal, tendo-se realizado também algumas viagens em regime de fretamento.
À frente dos novos serviços colocou o Engenheiro Pinto Teixeira, em Junho de 1937, o então tenente - aviador, Álvaro Herculano Pinho da Cunha.

De Havilland D.H.87B Hornet Moth. O CR-AAA era , ou é se ainda "for vivo" igual ao da foto
O primeiro avião da DETA era o "gargalhadas" ou CR-AAA que estava guardado no hangar principal em Mavalane.... passei muitas vezes por ele quando atravessava esse hangar vindo dos serviços comerciais (antiga aerogare) - onde trabalhei no LUMRMTM ou vindo do refeitório do pessoal para me dirigir pela placa para a actual aerogare.
Alguém terá uma foto ou mais informação sobre esse avião, que, pelos vistos não tendo sido o primeiro da DETA, no mínimo terá sido o primeiro matriculado em Moçambique.
Informações de Carlos Brites.

o "deHavilland"(DH-) Dragon Rapide
Em 22 de Dezembro desse mesmo ano iniciam-se as carreiras aéreas regulares com um voo no " Hornet" CR-AAD de Lourenço Marques a Germinston, avião esse pilotado por outro entusiasta pela aviação, Manuel Faria Rocha, que levava como mecânico nesse voo, Joaquim Antunes da Costa.
O percurso de Lourenço Marques a Germinston levava, nesse tempo, duas horas e meia de voo em cada sentido.
O CR-AAD, pilotado por Manuel Rocha partiu para esse histórico voo do campo militar da "Carreira de Tiro", única pista então existente em Lourenço Marques
O Tenente Costa Macedo, no ano seguinte, 1938,parte de Dassau (Alemanha) e faz entrega em Lourenço Marques do primeiro "Junkers" adquirido pela DETA. Junta-se aos primeiros "Hornet" e aos "Dragon Rapids"
Ao serviço da DETA contrata-se o piloto Sul-Africano Daniel Rabeik, ficando assim a organização com dois pilotos experimentados (Rocha e Rabeik). Ao mesmo tempo mandava-se para a Àfrica do Sul, a fim de tirarem o "Brevet" de pilotos comerciais, Pires do Vale, Borges Delgado e Gabriel Zoio.
Ao único mecânico telegrafista existente então, Joaquim Antunes da Costa, não tardou que outros, preparados na Àfrica do Sul, se lhe juntassem, como Albino Lopes, José Monteiro Júnior, José Amado, Ernesto Barroso, Virgílio Peixoto e Francisco Emanuel Leite Fragoso.

O Primeiro "Junkers" da DETA
Ainda em 1938, o jovem piloto Francisco Assis Camilo Teixeira, possuidor já do "brevet" de turismo passado pelo Aero Clube de Moçambique, tendo sido mandado tirar o "brevet" de aviador comercial à escola de aviação em Germinston, na Àfrica do Sul, foi fazer prova final para a obtenção deste "brevet", juntamente com o mecânico - radiotelegrafista Silva Barroso comandando um "Bucker Jungman" daquela escola, efectuou um "raid" aéreo de Germinston a Luanda, aproveitando a visita a esta cidade do Presidente da República, Marechal Carmona, a fim de lhe apresentar cumprimentos. Regressaram por via Beira a Lourenço Marques, tendo tido um aterragem forçada na região da Lagoa Pate, sem qualquer acidente pessoal ou no avião.

"DH104" Dove, da DETA
Novos Pilotos vêm reforçar os quadros da D.E.T.A. como Luís Branco, Álvaro Nogueira, Flávio de Carvalho, Carregal Ferreira e Francisco Teixeira.
O comandante Francisco Teixeira - o Chico Teixeira como efectivamente era conhecido em toda a província - e que com os pilotos Rocha e Carregal Ferreira haviam sido mandados aos estados Unidos da América do Norte praticarem no "Boeing School" em Oackland para obterem o "brevet" de navegadores aéreos que conseguiram, fez a sua última viagem comercial ao serviço da DETA em 23 de Fevereiro de 1944.
Nesse dia ao levantar voo de Quelimane ao comando de um avião "Lockheed", fabricado já durante a última grande guerra mundial, um dos motores, só com 400 horas de voo e regularmente revisto, incendiou-se comunicando o fogo ao aparelho, que caiu envolto em chamas tendo morrido o comandante Francisco Teixeira, mecânico Rui da Cunha, o comissário Leão e todos os passageiros.
O inquérito então feito verificou defeito de fabrico nas válvulas do motor. Foi o primeiro acidente com destruição do aparelho, e morte da tripulação e passageiros,
A DETA que iniciara a sua actividade com dois pilotos, três mecânicos e dois radiotelegrafistas, des anos depois dispunha já de onze pilotos, treze mecânicos, onze mecânicos - radiotelegrafistas, duas comissárias de aeronaves e cinco alunos - pilotos.

"Dakota" da DETA
Em 1940, os aviões "Lockeeds-14" haviam de aumentar a frota da DETA, logo seguidos, em 1948, por "Dakotas","Doves", pelos "Friendship" e pelos "Boeing" já nos nossos dias ostentando orgulhosamente as insígnias da DETA numa afirmação de progressividade evidente de uma organização já com notáveis serviços.
Ao esforço despendido para esse desenvolvimento, há que acrescentar o serviço de assistência técnica das oficinas prestada aos aviões por uma equipa chefiada, durante muitos anos, pelo engenheiro Carregal Ferreira, cuja obra foi continuada pelo engenheiro Abel de Azevedo, director da DETA em 1971.
Começara a sua frota com 3 trimotores "Junkers", 6 bimotores "Dragon Rapides"; 1 avião - ambulância e 1 avião ligeiro, sendo a sua primeira linha interna estabelecida para servir os percursos Lourenço Marques, Vila de João Belo, Inhambane, Beira, Quelimane, Lumbo e Porto Amélia, além de Lourenço Marques/Germinston.

"Friendship"(Foto tirada no aeroporto de Johannesburg)
A Divisão de Exploração de Transportes Aéreos de Moçambique, chefiada pelo tenente - coronel aviador Pinho da Cunha, desenvolveu-se rapidamente e a sua frota passou a ser o justo orgulho de Moçambique.
P programa de sua expansão, idealizada pelo Engenheiro Pinto Teixeira, grande impulsionador dessa magnífica obra, foi-se, depois cumprindo admiravelmente.
Construiu-se em Mavalane, comemorando o Duplo Centenário da Independência e da Restauração de Portugal, em 1940, a estação aérea segundo projecto do engenheiro Tito Esteves, e desenho da fachada de autoria do arquitecto Carlos Santos.
O aeródromo de Mavalane, limitava-se, nos seus primeiros anos a um quadrilátero com a área aproximada de 988 000 metros quadrados, suficiente para os aviões da época. As maiores exigências das aeronaves e da evolução dos próprios serviços levaram à ampliação da superfície ocupada e às consequentes obras e instalações realizadas a coberto dos Planos de Fomento.

O pequeno aeroporto já não chegava para as necessidades cada vez maiores. E em 1957, feita empreendimentos sanados por prioridades e assim sucessivamente foram construídos novos edifícios, montados os respectivos equipamentos e postos os serviços a funcionar. Dotado o aeroporto com o que era essencial para a segurança da navegação aérea, foi depois construída a nova estação, inaugurada a 17 de Junho de 1963, em comemoração da chegada ao Rio de Janeiro do avião em que Gago Coutinho e Sacadura Cabral completaram a primeira travessia do Atlântico – Sul
Compilação de JOSE MARIA MESQUITELA
Obrigado Comandante José Vilhena e Carlos Schmidt pelas Correcções
Estava provada a necessidade de se dotar a província de transportes aéreos adequados. O progresso também neste sentido entrou em Moçambique pelo pulso firme e entusiasmo do Engenheiro Francisco dos Santos Pinto Teixeira, que criou a "Divisão de Exploração dos Transportes Aéreas de Moçambique", a DETA, uma divisão dos Caminhos de Ferro de Moçambique
O Diploma Legislativo que o cria tem o Nº. 521 e a data de 26 de Agosto de 1936.
Assina o importante Diploma que dá início a uma das mais antigas actividades da aviação comercial em todo território Português, o Governador-Geral Coronel José Cabral.
Em princípios de 1937 começam voos de treino e de preparação de pessoal, tendo-se realizado também algumas viagens em regime de fretamento.
À frente dos novos serviços colocou o Engenheiro Pinto Teixeira, em Junho de 1937, o então tenente - aviador, Álvaro Herculano Pinho da Cunha.

De Havilland D.H.87B Hornet Moth. O CR-AAA era , ou é se ainda "for vivo" igual ao da foto
O primeiro avião da DETA era o "gargalhadas" ou CR-AAA que estava guardado no hangar principal em Mavalane.... passei muitas vezes por ele quando atravessava esse hangar vindo dos serviços comerciais (antiga aerogare) - onde trabalhei no LUMRMTM ou vindo do refeitório do pessoal para me dirigir pela placa para a actual aerogare.
Alguém terá uma foto ou mais informação sobre esse avião, que, pelos vistos não tendo sido o primeiro da DETA, no mínimo terá sido o primeiro matriculado em Moçambique.
Informações de Carlos Brites.

o "deHavilland"(DH-) Dragon Rapide
Em 22 de Dezembro desse mesmo ano iniciam-se as carreiras aéreas regulares com um voo no " Hornet" CR-AAD de Lourenço Marques a Germinston, avião esse pilotado por outro entusiasta pela aviação, Manuel Faria Rocha, que levava como mecânico nesse voo, Joaquim Antunes da Costa.
O percurso de Lourenço Marques a Germinston levava, nesse tempo, duas horas e meia de voo em cada sentido.
O CR-AAD, pilotado por Manuel Rocha partiu para esse histórico voo do campo militar da "Carreira de Tiro", única pista então existente em Lourenço Marques
O Tenente Costa Macedo, no ano seguinte, 1938,parte de Dassau (Alemanha) e faz entrega em Lourenço Marques do primeiro "Junkers" adquirido pela DETA. Junta-se aos primeiros "Hornet" e aos "Dragon Rapids"
Ao serviço da DETA contrata-se o piloto Sul-Africano Daniel Rabeik, ficando assim a organização com dois pilotos experimentados (Rocha e Rabeik). Ao mesmo tempo mandava-se para a Àfrica do Sul, a fim de tirarem o "Brevet" de pilotos comerciais, Pires do Vale, Borges Delgado e Gabriel Zoio.
Ao único mecânico telegrafista existente então, Joaquim Antunes da Costa, não tardou que outros, preparados na Àfrica do Sul, se lhe juntassem, como Albino Lopes, José Monteiro Júnior, José Amado, Ernesto Barroso, Virgílio Peixoto e Francisco Emanuel Leite Fragoso.

O Primeiro "Junkers" da DETA
Ainda em 1938, o jovem piloto Francisco Assis Camilo Teixeira, possuidor já do "brevet" de turismo passado pelo Aero Clube de Moçambique, tendo sido mandado tirar o "brevet" de aviador comercial à escola de aviação em Germinston, na Àfrica do Sul, foi fazer prova final para a obtenção deste "brevet", juntamente com o mecânico - radiotelegrafista Silva Barroso comandando um "Bucker Jungman" daquela escola, efectuou um "raid" aéreo de Germinston a Luanda, aproveitando a visita a esta cidade do Presidente da República, Marechal Carmona, a fim de lhe apresentar cumprimentos. Regressaram por via Beira a Lourenço Marques, tendo tido um aterragem forçada na região da Lagoa Pate, sem qualquer acidente pessoal ou no avião.

"DH104" Dove, da DETA
Novos Pilotos vêm reforçar os quadros da D.E.T.A. como Luís Branco, Álvaro Nogueira, Flávio de Carvalho, Carregal Ferreira e Francisco Teixeira.
O comandante Francisco Teixeira - o Chico Teixeira como efectivamente era conhecido em toda a província - e que com os pilotos Rocha e Carregal Ferreira haviam sido mandados aos estados Unidos da América do Norte praticarem no "Boeing School" em Oackland para obterem o "brevet" de navegadores aéreos que conseguiram, fez a sua última viagem comercial ao serviço da DETA em 23 de Fevereiro de 1944.
Nesse dia ao levantar voo de Quelimane ao comando de um avião "Lockheed", fabricado já durante a última grande guerra mundial, um dos motores, só com 400 horas de voo e regularmente revisto, incendiou-se comunicando o fogo ao aparelho, que caiu envolto em chamas tendo morrido o comandante Francisco Teixeira, mecânico Rui da Cunha, o comissário Leão e todos os passageiros.
O inquérito então feito verificou defeito de fabrico nas válvulas do motor. Foi o primeiro acidente com destruição do aparelho, e morte da tripulação e passageiros,
A DETA que iniciara a sua actividade com dois pilotos, três mecânicos e dois radiotelegrafistas, des anos depois dispunha já de onze pilotos, treze mecânicos, onze mecânicos - radiotelegrafistas, duas comissárias de aeronaves e cinco alunos - pilotos.

"Dakota" da DETA
Em 1940, os aviões "Lockeeds-14" haviam de aumentar a frota da DETA, logo seguidos, em 1948, por "Dakotas","Doves", pelos "Friendship" e pelos "Boeing" já nos nossos dias ostentando orgulhosamente as insígnias da DETA numa afirmação de progressividade evidente de uma organização já com notáveis serviços.
Ao esforço despendido para esse desenvolvimento, há que acrescentar o serviço de assistência técnica das oficinas prestada aos aviões por uma equipa chefiada, durante muitos anos, pelo engenheiro Carregal Ferreira, cuja obra foi continuada pelo engenheiro Abel de Azevedo, director da DETA em 1971.
Começara a sua frota com 3 trimotores "Junkers", 6 bimotores "Dragon Rapides"; 1 avião - ambulância e 1 avião ligeiro, sendo a sua primeira linha interna estabelecida para servir os percursos Lourenço Marques, Vila de João Belo, Inhambane, Beira, Quelimane, Lumbo e Porto Amélia, além de Lourenço Marques/Germinston.

"Friendship"(Foto tirada no aeroporto de Johannesburg)
A Divisão de Exploração de Transportes Aéreos de Moçambique, chefiada pelo tenente - coronel aviador Pinho da Cunha, desenvolveu-se rapidamente e a sua frota passou a ser o justo orgulho de Moçambique.
P programa de sua expansão, idealizada pelo Engenheiro Pinto Teixeira, grande impulsionador dessa magnífica obra, foi-se, depois cumprindo admiravelmente.
Construiu-se em Mavalane, comemorando o Duplo Centenário da Independência e da Restauração de Portugal, em 1940, a estação aérea segundo projecto do engenheiro Tito Esteves, e desenho da fachada de autoria do arquitecto Carlos Santos.
O aeródromo de Mavalane, limitava-se, nos seus primeiros anos a um quadrilátero com a área aproximada de 988 000 metros quadrados, suficiente para os aviões da época. As maiores exigências das aeronaves e da evolução dos próprios serviços levaram à ampliação da superfície ocupada e às consequentes obras e instalações realizadas a coberto dos Planos de Fomento.

O pequeno aeroporto já não chegava para as necessidades cada vez maiores. E em 1957, feita empreendimentos sanados por prioridades e assim sucessivamente foram construídos novos edifícios, montados os respectivos equipamentos e postos os serviços a funcionar. Dotado o aeroporto com o que era essencial para a segurança da navegação aérea, foi depois construída a nova estação, inaugurada a 17 de Junho de 1963, em comemoração da chegada ao Rio de Janeiro do avião em que Gago Coutinho e Sacadura Cabral completaram a primeira travessia do Atlântico – Sul
Compilação de JOSE MARIA MESQUITELA
Obrigado Comandante José Vilhena e Carlos Schmidt pelas Correcções
6 comments:
A primeira vez que andei de avião foi de LM para Nampula. O avião era da DETA, claro!
Os agradecimentos são todos para o cmte josé Vilhena a quem muito lhe agradeço a pronta disponibilidade para " limar umas arestas " nos textos...obrigado!
E eu foi da Beira para António Enes. Fui de F27 até a Quelimane e depois de DC-3 até A.Enes.
vá lá que não estava mau tempo... Poços de ar eram "mato"...
Gostaria de acrescentar, como curiosidade, que na véspera do acidente mortal à descolagem de Quelimane, o Cte Teixeira e tripulação, jantaram na nossa casa,era então o meu pai, Chefe do Posto, no Lumbo.
Artur Cardoso vai para o sitio certo essa informação.
BELA PÀGINA! TRABALHEI NA DETA EM
75/77 JOGUEI NA SUA SELEÇÃO DE FUTEBOL. AI QUE SAUDADES DA MALTA.
MEU PAI JOSÉ MANUEL REGO DA SILVA
TIROU BREBETE NO AEROCLUBE DE NAMPULA E AQUI TAMBEM MINHA IRMÃ
TEVE AÇIDENTE AO SER APANHADA
PELA HÉLIÇE DO ÇESENA. CHAMO-ME
ANTÓNIO JOSÉ REGO DA SILVA
MAIL: antonio.zerego@gmail.com
NB: na DETA/LAM trabalhei em Maputo
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