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Quem tiver fotos e/ou documentos sobre a Aviação em Moçambique e os queira ver publicados neste blogue, pode contactar-me pelo e-mail: lhinga@gmail.com
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CR-AFR - Dakota que pertenceu ao Governo Geral de Moçambique


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21/09/06

12-Acidente da DETA 2

......Vou relatar alguns desastres para verem como é. A pelo menos 3 eu assisti.
Aquele Tiger que me ia matando em cima da casa foi reconstruído. Levou muito tempo a ser reconstruído e muito pouco tempo para ir para o ar, matar mais 2 amigos e desaparecer de vez. Por causa do meu desastre e deste que se seguiu, chamaram-lhe o avião "fatídico", mas ele, o meu rico Tiger, não teve culpa nenhuma, nem no primeiro nem no segundo desastre,
Naquela noite de sábado houve farra até de madrugada.
O nosso Águas, piloto do Aero-Clube, tanto insistiu com o Almeida-pois este não queria ir- que o convenceu. O Almeida era um rapaz novo, mas muito bem lançado na vida. Era o homem do bar do Savoy Hotel e a simpatia em pessoa. Naquela manhã de domingo eles aí vão para o campo de aviação. Levantaram voo e dirigiram-se à praia.
"Pequename" que fervia e aí está o Águas em voos rasantes a assustar toda aquela gente. De facto, ele abusava muito.
A páginas tantas, viu um barquito com motor de borda, reconheceu o Peão Lopes, um companheirão das farras, e não resistiu. Fez um picanço e o nosso Peão Lopes teve que se deitar no fundo do barco. Outro picanço e quase o tocou. Ainda outro e no mesmo instante quis descrever uma curva: a ponta da asa bateu na água e o avião entrou pelo mar dentro num estrondo infernal. O Peão Lopes já se tinha atirado à água. Eles morreram instantâneamente. Andámos depois a nadar no local em que estava o avião, tentando retirar os cadáveres, mas a gasolina que se ia derramando no mar cegava-nos. Só quando a maré vazou pudemos retirá-los.
O avião não tivera culpa!
A seguir foi o do Tenente Ivo Cerqueira, dos homens mais entusiastas da aviação que eu conheci, também piloto do Aero-Clube. Voar para ele, constituía a maior alegria. Era bastante atrevido.
Naquele domingo à tarde, convidou o Juiz Peixoto e Cunha para um passeio. Soprava uma ventania do diabos. o avião, era um "Cubezito" muito frágil e com um motor pouco potente. Eles aí vão, mas, não se afastaram muito da pista. Uma rajada de vento embrulha o avião e estatela-o. Entrou em perde! O Dr.Juiz, a quem entrou um ferro na testa, teve morte instatânea. O Ivo partiu uma perna e fracturou várias costelas. Fui vê-lo muitas vezes ao hospital. Pensam que perdeu o entusiasmo pela aviação? Nunca! ......
......Abusava-se de voos rasantes, sobretudo na praia......
....Até que um dia.. dois amigos nossos.....o Manuel Duarte e o Lino Conceição!.......Rasante daqui, picanço dacolá, curva daqui e aquela gentinha toda a fugir praia fora, pois viram logo que ia haver tragédia.
Isto passa-se ao pé da Costa do Sol, para além da Polana.~
Numa das tais curvas, dadas devagar demais, o avião entra em perda e cai no areal......
.......Tivemos um companheiro e esse seria em breve piloto comercial, se não lhe tivesse acontecido aquilo. Para mim, ele foi um dos mais infelizes amantes da aviação. Como todos nós, adorava a vida no ar. Era instrutor do Aero-Clube e isto de ser instrutor tem muito que se lhe diga. É das fases mais perigosas que se atravessa na aviação. Eu e o Luís também tínhamos sido instrutores, mas eu larguei logo da boia, porque não me agradava nada apanhar arrepios por conta doutros.........
.....O nosso Silva Gaio foi naquele dia voar com um aluno já bastante adiantado e a coisa não estava a correr mal. Havia um cajueiro próximo da pista. Da primeira vez, o avião passou rés-vés aos cajueiros e aterrou. O Silva Gaio avisou o aluno para ter cuidado, mas mandou-o dar outra volta e aterrar, no mesmo sentido. Deram outra volta e ele já calculava melhor. Ainda outra volta e aí vem o avião naquele passeio calmo que acontece a aterragem; ao passar num cajueiro, zás! Bate-lhe com uma asa e afocinha fora da pista.......O aluno, além das costelas partidas, carnes rasgadas, ficou com os intestinos furados. Foi operado e em breve se recompunha. Mas o nosso Silva Gaio morreu naquele dia para a aviação.
Ficou todo partido, e, o pior, com um olho inutilizado para sempre.......
Mais umas pequenas histórias tiradas do livro do Cmdt. Miguel Faria Peixoto

São Camposinhos

2 comments:

Cristina disse...

Acabei de entrar neste blogger e acho que deveria dizer algo sobre o acidente que vitimou o meu tio Francisco Pinto Teixeira. Não o cheguei a conhecer, mas ele era o irmão mais velho do meu pai. Sempre ouvi falar deste acidente em que todos culpam o meu avô Francisco Pinto Teixeira por ter obrigado o meu tio a voar. Para quem conheceu o meu avô sabe bem que ele era uma pessoa muito rigorasa e nós familia mais chegada tinhamos sempre que dar o exemplo, o que por vezes trás grandes desgostos. Realmente ele sentia-se culpado da morte do meu tio, mas tudo não passou de um grande acidente, pois ninguém deseja a morte a um filho. Anos mais tarde foi dado o nome de meu avô ao aeroporto de Quelimane, ele fez um discurso tal que quando chegou a L.M. já o esperava uma ambulância pois ele estava mesmo mal. Tenho vários recortes de jornal sobre estes acontecimentos, assim como fotos do meu tio Francisco. Existe também um album de fotos sobre a vida do meu tio, vou tentar ver se o consigo para passar no scanner e assim o poder enviar.
Há uns anos atrás o aeroclube de Moçambique fez uma comomeração onde voltaram a pôr o busto do meu avô e várias fotos (tenho cópias) Também foi dado o nome do meu avô a um avião do aeroclube, isto aconteceu em 2002.
Um abraço
Cristina Pinto Teixeira

Luh disse...

Obrigada Tatina. Vai encontrar aqui sempre boas referências ao seu avô. Foi um dos pioneiros da aviação.
E fico a aguardar as suas fotos.
Beijinhos
Luísa Hingá